sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

AS CIDADES PODEM MAIS: A CRISE E AS PREFEITURAS

Vivemos momentos sombrios, de diagnósticos incertos. É a crise mundial! Tendo como epicentro as economias dos países chamados desenvolvidos, faz-se girar uma “roleta russa” sobre os povos. Os seus impactos na economia real ainda não são mensuráveis fazendo somente aumentar a responsabilidade dos prefeitos e prefeitas que foram eleitos esse ano. Não será secundário o papel que jogarão no sentido de amortecerem os prováveis impactos sociais negativos.

A crise foi gerada pelos ricos e pela “balela” neoliberal de MENOS ESTADO e MAIS MERCADO. Muitos intelectuais de peso se dobraram e repetiram esse mantra sem se preocuparem com as conseqüências. Hoje se escondem nos esgotos, tentando se misturar aos ratos e fingindo não terem com isso nenhuma relação.

Vão ficando claros os custos sociais. Demissões se alargam pelo mundo. Querem agora os senhores do dinheiro, geradores da crise, que os trabalhadores paguem a conta. Esse sistema se perpetua como vírus aparentemente incurável, de mutações mais predatórias, de ciclos mais agudos. O remédio apresentado é o de sempre, arrocho, retirada de direitos, contra-reformas que atingem em cheio os mais pobres.

Assusta ver certa parcela da dita “inteligentsia” que ainda recita os mandamentos de tempos anteriores e como diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, “combatem a batalha passada”. Setores da mídia venal, o BC e seus asseclas demo-tucanos cantam aos ventos a música da insanidade: CORTE DE GASTOS.

Que me perdoe o bom pensador pelo excesso de uso, novamente Gonzaga Belluzzo, “repetem como se não soubessem que esta fórmula fez emergir Hitler”. Aos sabotadores meu desprezo! Que sejam claros então quando dizem que “mesmo sendo amargo que se faça”, especifiquem onde devem ser os cortes. Perderam a eleição e não puderam fazer isso! Ficariam envergonhados! Eles falam em gastos sociais sim, tratam como despesas o que é claramente investimento num futuro mais humano.

A nossa resistência à crise tem vingado como conseqüência do destravamento tímido do desenvolvimento nacional que acontece, mesmo que ainda, sem nitidez de projeto, vide os embates entre o BC e o Ministério da Fazenda. A atual política econômica “meia sola” deu certo, mas agora precisa mostrar a que veio. Enfrentar a questão dos juros, do controle do fluxo de capitais, do controle do câmbio e dos gatos. Transitar de modelo! Eu estou ao lado dos que dizem que se for para cortar, que seja dos ricos! Que cortem no superávit primário!

A adoção de medidas moderadas até agora nos serviu, o país voltou a crescer distribuindo renda, gerando empregos e tornando-se mais justo. Reverteu-se medianamente a lógica neoliberal e começamos a devolver ao Estado o papel de indutor do desenvolvimento nacional. Hoje precisamos que a política macroeconômica aprofunde seus contornos desenvolvimentistas, isso em nível microeconômico vai reverberar, gerando efeitos contra-cíclicos que diminuirão os choques da crise.

O papel dos novos prefeitos nos parece claro, terão que agir conjugando ousadia e cautela. Não adiantarão as fórmulas de sempre, não adiantarão remendos, não será perdoada a covardia. Bresser disse num programa da TV pública: “momentos de crise é que fazem brotar os estadistas”, concordo ressalvando que nestes mesmos momentos, naufragam um número bem maior de medíocres e covardes.

Terão os prefeitos e prefeitas que serem escudos dos trabalhadores, dos mais pobres, dos pequenos e médios empresários. Terão que trabalhar dobrado para combater as desigualdades não só por princípio, mas porque elas geram estagnação econômica e um ambiente caótico para investimentos.

Precisarão fazer governos amplos, de diálogo franco e aberto com a sociedade, isso será uma exigência objetiva! Todos os esforços precisarão estar concentrados para que consigam reduzir os danos da crise em suas cidades, por este motivo estabilidade será fundamental.

Parcerias serão a tônica. Uma ligação profunda com Governos Estaduais e com o Governo Federal precisará ser estabelecida, mas acima de tudo deverão: “apostar na inteligência criativa do nosso povo, investindo na vocação econômica e ecológica de nossas cidades, como fonte sustentável de geração de emprego e renda, fortalecendo as economias locais”.

Em tempos de crise econômica, a história mostrou várias vezes que só existem duas saídas, a guerra ou a ação decidida do estado. Esperamos de nossos prefeitos e prefeitas: planejamento, coragem e compromisso social porque essa conjugação é a chave para abrirmos as portas do futuro, já que para nós é impensável a primeira hipótese.

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