domingo, 20 de setembro de 2009

Decisão de Mustrangi de governar só com PT e PPS afasta outros partidos

 
A decisão tomada pelo PCdoB, de ficar numa posição independente e crítica com relação ao Governo Paulo Mustrangi, pode ser o caminho de outras siglas partidárias, que mesmo demonstrando vontade de conversar com o prefeito, não conseguem espaço. Esta semana, o presidente do PSDC, Antônio Retondaro, confirmou que conversou com o chefe de Gabinete, Wilson Franca, e que tudo ficou neste encontro, com a promessa de que voltariam a conversar. As críticas do vereador Luiz Eduardo (Dudu - PSDC) ao governador Sergio Cabral, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que deve ter o apoio do PT para tentar reeleição, podem contribuir para distanciar o PSDC do governo Mustrangi. Retondaro não comenta esta situação, mas nos bastidores há comentários de que Dudu poderia apoiar a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho e por isso já fazia críticas ao governador Cabral. Verdade ou não, o fato é que em meio à crítica ao governador, Dudu deixou escapar que “vem gente nova para o governo do Estado”. Esta frase, mesmo dita em meio à euforia de suas críticas e pela revolta com o retorno de cinco viaturas da PM para o Rio, sinaliza uma mudança de postura do vereador. Mas Dudu não é o único a tomar este rumo. O vereador Osvaldo do Vale (Vadinho - PSB) também se posiciona contra o governador e é o que mais tem criticado o prefeito Mustrangi. No entanto, seu partido - PSB - caminha para apoiar o governador Sergio Cabral e também o PT, já que faz parte da aliança nacional. Ao contrário do PCdoB, que definiu sua posição com relação ao governo municipal, o PSB vem mantendo uma postura crítica, por causa das denúncias que o prefeito Mustrangi tem feito à administração Rubens Bomtempo, mas sem se declarar oposição. Siglas partidárias como o PV, PTB, PSC, PDT e outras tentam a todo momento abrir um canal de diálogo com o Governo Mustrangi, mas, até o momento, o Governo aceitou conversar apenas com as lideranças destes partidos com mandato. Não há dúvida que o prefeito Mustrangi mantém um bom relacionamento com os deputados estaduais Marcus Vinicius (PTB) e Ronaldo Medeiros (PSB), o mesmo ocorrendo na Câmara, onde o relacionamento tem sido bom a partir da liderança do presidente, vereador Bernardo Rossi (PMDB). Na sua ida à Câmara esta semana, o prefeito Paulo Mustrangi deixou transparecer por que conversa com todos os políticos com mandato e tem dificuldade com os partidos. “Vou dar espaço a todos que estenderem a mão para Petrópolis. A todos que trouxerem verbas para a cidade”, declarou, citando os deputados federais Jorge Bittar (PT), Leandro Sampaio (PPS), Hugo Leal (PSC) e outros. O mesmo fazendo com os deputados estaduais. Para os presidentes de partidos, a decisão de fechar o governo ao PPS e PT pode isolar a administração municipal, principalmente durante o pleito eleitoral de 2010. Na avaliação de Pedro Cross, presidente do PCdoB, o que está ocorrendo é que a administração Mustrangi está confundindo questões administrativas com questões políticas, deixando de formar um governo de coalizão, “como fez o presidente Lula para administrar o país”. Mas não são apenas os partidos com dificuldade para dialogar com o governo municipal. As lideranças comunitárias também estão enfrentando o mesmo problema. Carlos Henrique, um dos coordenadores do Fórum Popular das Associações de Moradores, disse que, apesar das tentativas de se manter um diálogo, o discurso do governo sempre passa pela dívida da Prefeitura. O vereador Dudu, numa de suas intervenções na Câmara, comentou que “tudo que falamos com o governo a resposta começa pela dívida, ninguém aguenta mais”. A dificuldade das lideranças comunitárias em conversar com o governo já foi comentada na Câmara. Foi citada inclusive a Federação das Associações de Moradores de Petrópolis (Fampe), como uma das entidades do movimento comunitário que não conseguem ampliar a conversa com o governo. O vereador Jorginho do Banerj (PSB), numa de suas intervenções, comentou que tem andado pelas comunidades e a reclamação é muito grande. “Tenho conversado com muitas lideranças que reclamam, pois não conseguem discutir nada com o governo e nem obtêm respostas às suas reivindicações”.

Fonte: Tribuna de Petrópolis

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