quarta-feira, 16 de setembro de 2009

PCdoB a caminho da oposição

 
Depois de esperar por oito meses para fechar um acordo político com o Governo Paulo Mustrangi e não obter sucesso, na noite de sexta-feira, durante sua conferência municipal no Colégio Opção, o PCdoB decidiu adotar uma posição independente e crítica com relação à administração Mustrangi. Eleito para o quinto mandato como presidente do partido, Pedro Cross disse que a conferência liberou a direção da sigla na cidade para tomar qualquer decisão, inclusive ir para a oposição.

Segundo seu presidente, o PCdoB vai discutir o modelo de gestão adotado para a Cultura, Educação e Saúde, inclusive o Serviço Social Autônomo do Hospital Alcides Carneiro (Sehac). Modelos que, segundo Cross, preocupam, principalmente a privatização de serviços da Saúde. "Temos posição formada sobre estas e outras questões, e acredito que poderíamos contribuir com o governo com uma discussão interna, mas agora a faremos publicamente, conforme decisão da nossa conferência".

Para Pedro Cross, muitas pessoas estavam pensando que "por sermos aliados tradicionais do PT tudo estaria resolvido em 2010, com o apoio do partido a Dilma Rosset. As coisas não são assim, uma coisa é aliança nacional e outra é a situação no município". Em nível nacional, somos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas no município, até o momento, não temos acordo, "pois se instalou um governo petista que não quer ou tem dificuldades em chegar a um acordo político".

Esta nova postura do PCdoB é decorrente de seis conversas com o governo Mustrangi, sempre convidados para o encontro, e que não deram em nada. A última ocorreu com a vinda da ex-deputado Jandira Feghali para a entrega de sete viaturas, quando ela deu um prazo até o dia 11 de setembro para que o prefeito Mustrangi manifestasse se queria ou não o PCdoB no governo. Como das outras vezes, nada ocorreu, por isso, na noite de sexta-feira, a decisão da conferência comunista, com a presença de um membro do Comitê Central, foi pela independência crítica.

Para Pedro Cross, o acordo político não aconteceu porque o Governo Mustrangi está confundindo questões administrativas com questões políticas. "Temos uma leitura diferente, pois não seríamos um problema, mas estaríamos indo para o governo para ajudar a solucionar os problemas, buscando, através de nossas lideranças, verbas para o Município. Eles (governo) nos colocam na esfera dos problemas".

Para ele, o presidente Lula é um exemplo para se construir a governabilidade, pois formou um governo de coalizão, unindo diversas forças políticas, mas sem abrir mão de seu projeto social. "Infelizmente, a opção do prefeito Paulo Mustrangi é governar a cidade com as forças originais que o conduziram à Prefeitura", frisando que o prefeito deveria seguir o exemplo de Lula.

Com relação ao endividamento da Prefeitura, Pedro Cross disse que de fato é um limitador, mas lembrou que Petrópolis não é a única cidade com este problema e que as demais estão caminhando, "o que precisamos é de uma posição mais firme na busca das soluções". Ele lembrou ainda que todos que estão hoje na Prefeitura tiveram sua parte no endividamento, pois fizeram parte do governo de Leandro Sampaio e também de Rubens Bomtempo. "Cada um com seu nível de responsabilidade criou a dívida".

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