quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

As Chuvas na Região Serrana por Drica Madeira



Em Janeiro de 2011, revivenciamos uma situação de catástrofe já conhecida há muito por nós, moradores dos municípios da região serrana do Estado do Rio de Janeiro, um novo período de chuvas devastou uma cidade inteira, como foi o caso de Nova Friburgo e desestruturou, em grande medida, outras duas cidades, Petrópolis e Teresópolis. Em anos anteriores, vivemos outras tantas situações como a de Friburgo em outros municípios e, por anos, décadas, temos discutido soluções pragmáticas e pouco eficientes para contornar os estragos feitos pelas chuvas de verão ou mesmo, nos prepararmos para situações de calamidade esperadas para este período.

Estamos em Janeiro de 2012 e voltamos ao tema, a tão temida chuva chegou, aquela que fez vítimas em 1988, em 2002, e seguiu deixando marcas por todo o período até chegarmos em 2011, onde Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo foram arrasadas por novos temporais. Pode parecer estranho, mas enquanto não pensarmos a situação das chuvas de forma regional, todas as alternativas serão ineficazes.

Haja vista que, além de vivenciarmos um período de dor e consternamento, com danos materiais e mortes, indigna situação de sermos atingidos por um golpe tão duro quanto a própria calamidade, falo dos desmandos, do descaso e da corrupção dos governantes da região. Necessário lembrar, das cassações de prefeitos e das denúncias de malversação dos recursos disponibilizados para as reparações necessárias ou ainda, a inoperância de outros, que acabam no fim tendo a mesma conseqüência, a população absolutamente desassistida.

Acredito que, se não houver um planejamento conjunto de ações regionais com suporte financeiro dos governos estaduais e federal, todo o trabalho elaborado por um único município não será eficiente, afinal, a natureza ignora fronteiras físicas entre, por exemplo, Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis.

Falo de uma espécie de gestão integrada intermunicipal das regiões afetadas com maior intensidade pelos efeitos das alterações climáticas e por seus solos propícios para deslizamentos e inundações, como é o caso da Região Serrana,

Além disso, precisamos produzir, ou talvez difundir, um maior conhecimento sobre monitoramento das chuvas, impacto e adequação à nova realidade com as variações climáticas. Por último, certamente, não menos importante, precisamos que a população detenha todo esse conhecimento para cobrar das autoridades competentes, medidas de prevenção, saneamento, desassoreamento de rios, educação ambiental, fiscalização de construções irregulares, mas fundamentalmente, cobrar do poder público uma nova postura diante do planejamento urbano, é só repensando as cidades que encontraremos saídas dignas para seus cidadãos.

Drica Madeira – Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Petrópolis e moradora de Petrópolis há 31 anos.

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