terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Eleição do Conselho Tutelar


Reproduzo artigo que publiquei  sobre a eleição anterior do Conselho Tutelar. Na minha opinião, a reflexão continua atual.

‘Domingo, não fui votar!

As eleições sempre foram uma marca na minha vida. Meu apreço pela participação democrática, me empurrou a escolher, mesmo quando as alternativas não contemplavam integralmente as idéias que eu defendia. Pois bem, na eleição do Conselho Tutelar não fui votar! Por conta da minha história acho que cabe uma justificativa embasada expondo meus motivos por assim proceder. As eleições em geral para este órgão de Estado têm sido marcadas por uma interferência cada vez maior dos grupos organizados e até de forças políticas formais. A consciência, na maioria das vezes, se afirma sobre a espontaneidade. Em minha opinião é a evolução natural dos pleitos, que de alguma forma tem como conseqüência a ocupação de espaços de poder. Isso é legítimo! Defendendo essa opinião seria equivocado dizer que esta é a motivação que me levou a não ir votar. 

Ainda sobre as candidaturas, muitos questionavam a falta de preparo, a inconsistência, a ignorância. Em sua maioria, os mesmos que condenam Lula por sua humilde formação técnica. Sobre esses apologistas do despotismo esclarecido, vem a afirmação negativa da realidade: o REITOR da UNB, o SOCIÓLOGO Fernando Henrique, o JUIZ Nicolau e agora o ARCEBISPO Dom Eusébio. Os cultos maus exemplos! Através de Lula, de sua atuação, veio a afirmação simbólica da capacidade dos desfavorecidos. Dos homens e mulheres humildes que oferecem suas contribuições diárias ao Brasil. Defendendo essa opinião, também seria equivocado dizer que isto teria me levado a não ir votar.

Eu tinha um camarada candidato, que em meio ao pleito, por problemas de foro íntimo, retirou sua candidatura. Não tendo mais candidato fui buscar uma alternativa, aqui o choque foi absurdo. Se não pela interferência política, se não pela qualificação dos candidatos, se não por meu candidato inicial não ter concorrido, o que me levou a não votar? 

Permitam-me antes de dar uma resposta direta, eu fazer uma digressão. No Estado Brasileiro, desde 1891, com a 2ª Constituição Brasileira, encontramos a positivação da laicidade, e, com isso, a instituição de um Estado Laico. A partir daí, com pequenas variações, dependendo da Constituição, verificamos que o Brasil se manteve formalmente laico nas suas Cartas Magnas. Ocorre que, embora formalmente laico, o Brasil continuou (e continua) com suas tradições ligadas de maneira forte às religiões. Essas tradições, enquanto ligadas a manifestações culturais de nível privado, não acarretam nenhum problema para o Estado laico, uma vez que o mesmo, sendo laico, deve permitir a liberdade religiosa e sua expressão. O que não deve acontecer é a intervenção de determinada religião na esfera pública para que a mesma desempenhe suas atividades de acordo com seus dogmas e preceitos. 

O que verificamos no Brasil, é que, embora seja um Estado formalmente laico, materialmente não verificamos a efetividade desta laicidade. A todo o momento temos interferências das religiões nas esferas do Poder Público para condicioná-lo a seus interesses, numa tentativa de submeter todo o ordenamento aos seus dogmas e conceitos estritamente religiosos. Em pleno século XXI, verificamos um retrocesso na secularização do Estado, com movimentos religiosos criando bancadas políticas para, através do Poder Público, expandir seu domínio religioso, assim como uma permanente influência e pressão para que os governantes sejam norteados em suas decisões, de caráter público, de acordo com preceitos religiosos. O Brasil, em tese, é um país laico. Não existe, aqui, religião oficial. Como não existe em qualquer país democrático. Sempre trabalhamos com a idéia de que se uma maioria praticar um culto esse não pode servir de pretexto para que as minorias que com ele não concordem tenham de a ele se submeter.

 Dito isto, quando fui buscar alternativas, me veio à percepção de que eu devia estar lendo folhetos de porta de igreja no domingo. A concorrência se afirmava encima do tempo de trabalho dedicado a uma determinada religião. Além de não dizer nada, isso me alarmou por deixar explícito que seja quem fosse que entrasse, não para ser coroinha, não para ser do coral da igreja ou para qualquer coisa que se assemelhe e sim para ser Conselheiro Tutelar, ocupando um cargo na estrutura do Estado Brasileiro, seria alguém comprometido com idéias hegemonicamente confessionais. Isso para mim é muito grave! Era a vitória, sem combate, da caridade contra a política de direitos! 

Eu, assim como o Dr. Dráuzio Varela, Bernard Shaw, Angelina Jolie, Isaac Asimov, Comte, Augusto dos Anjos, Paulo Autran, Betinho, Caetano Veloso, Camila Pitanga, Albert Camus, Cássia Eller, Charles Chaplin, Che Guevara, Chico Buarque, Confúcio, Daniel Radcliffe, David Bowie, Richard Dawkins, Diderot, Durkheim, Milton Santos, Hemingway, Fellini, Glória Maria, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Stephen Hawkins, Jack Nicholson, Jodie Foster, John Lennon, Jorge Amado, Julianne Moore, Marx, Veríssimo, Claudia Raia, Leonardo Da Vinci, Pauling, Prestes, Malu Mader, Edson Celulari, Marie Curie, Mario Lago, Marlon Brando, Peter Medawar, Freud, Foucault, Monteiro Lobato, Chomsky, Niemeyer, Neruda, Picasso, Paulo Freire, Rubem Fonseca, Carl Sagan, Sartre, Simone de Beauvoir, Stephen King, Thomas Edison, Woody Allen, Yuri Gagarin, Bjork, Igmar Bergman, Saramago, sou ateu! Como tal, luto pelo direito de ser ateu. Eu tenho respeito por todas as pessoas religiosas sem distinção da religião que professam, tenho minha preferência pela ciência. Mas isso não esta em questão aqui. 

A referência a esta minha escolha é exclusiva para dizer que deste ponto de vista me senti alijado de representação. Não que necessariamente quem eu apoiasse devesse ser ateu, em absoluto, mas que no mínimo sua plataforma fosse laica e secular. Que seus postulados de auto-classificação fossem relativos ao desenvolvimento de seus trabalhos na área de direitos das crianças e dos adolescentes. Que preferisse a resolução dos problemas através das políticas públicas e não através do compromisso com a caridade “cristã, ortodoxa, evangélica, etc.”. Defendo o Estado laico, não indo votar então, até porque achei que domingo não tivesse eleição do Conselho Tutelar, e como eu não vou a missa!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

AS CIDADES PODEM MAIS: TRANSIÇÃO DE GOVERNOS




As sociedades mudam quando se acumulam experiências de desenvolvimento intelectual, tecnológico e moral dos seres humanos fazendo-as saltar em direção ao futuro. É bem verdade que não é automática a alteração dos paradigmas, ainda mais, levando-se em conta características que limitam as práticas do povo, que no Brasil não são, em boa medida, boas para si mesmo. A falta de uma ruptura profunda com as mazelas que historicamente nos acompanham, fazem-nos tomar medidas a passos lentos, tornando-se forçoso reconhecer, por diversas óticas, que os dias atuais são melhores do que os vivenciados no passado, isso também no que concerne à condução das Administrações Públicas.

Em fatos se clarifica quando comparamos a conduta de muitos dos gestores públicos atuais com as lamentáveis práticas adotadas no passado, mesmo que hoje forçados por atos administrativos que tenham sido previamente criados e/ou aprovados pelos legisladores. O comando constitucional do princípio da legalidade é protagonista nesse aspecto. Um exemplo do avanço na direção da coisa pública é a criação, já adotada ha alguns anos, das comissões de transição de governo. Desdobram-se em regulamentações de Tribunais de Contas, em Leis Orgânicas e por ai vai, dispondo que estas comissões transitórias têm a finalidade de proporcionar ao candidato, logo que declarado vencedor (e não após a diplomação), “tomar pé da situação”, como diz o ditado popular.

É bem verdade que, cada vez mais a Administração Pública deveria ser transparente, publicando todos os seus atos, principalmente aqueles relativos ao orçamento público, fazendo com isso que os candidatos que disputem o pleito já tivessem condições de fazer um diagnóstico prévio daquilo que estará, desde que sejam eleitos, sob sua responsabilidade. Isso evitaria surpresas depois de iniciado o mandato, infelizmente a experiência vem demonstrando a plena possibilidade de se “destampar” irregularidades e falhas somente pela via judicial. O problema é que, inevitavelmente, há coisas que fogem do alcance de conhecimento dos candidatos, razão pela qual só o eleito recebe informações e documentos, e a partir daí é que começa a esculpir um plano de governo real, principalmente no que diz respeito ao exercício financeiro. Esse é um momento que deveriam privilegiar o interesse público, superando desafios e sobrepondo-se às divergências políticas, eis que tornar explícito os detalhes da situação encontrada. É democrático!

O gesto esperado por todos está em o(a) atual gestor(a) assinar junto com o(a) futuro(a) gestor(a) tudo no que se refere a documentações de informação e os relatórios emitidos pela comissão transitória de governo. A realidade demonstra que infelizmente, nesta fase do último ano do mandato dos gestores públicos municipais, após o exercício democrático do voto, a sociedade ainda se deparara com atitudes retrógradas, ultrapassadas e mesquinhas, totalmente avessas ao interesse coletivo. Ainda sobram os que nesta etapa da gestão pública, principalmente da municipal, deixam de arcar com seus compromissos financeiros, deixando dívidas e dificuldades para o próximo governo. Com o advento da Lei de Responsabilidade na Gestão Fiscal, com seus erros e acertos, esta prática diminuiu, mas não acabou.

Acompanhando mais de perto como isso tem se processado no Brasil, ainda se vê em algumas localidades a imaturidade tomar o lugar do bom senso e alguns administradores públicos se recusarem a enviar documentos, ou assinar convênios de interesse do Município junto aos Ministérios ou órgãos do Governo Estadual, somente para prejudicar seu sucessor e, por conseguinte, todos os munícipes. A transição de governos reflete a transição pela qual passa o planeta. O mundo objetivamente já demonstra cansaço de um proceder maldoso, de notícias ruins, de perseguições e lamentações, é hora de levarmos a outro patamar as relações de civilidade, fazendo da radicalização democrática e do controle popular uma maneira de governar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Para quem tinha dúvidas sobre a candidatura de Bernardo Rossi!

Picciani sobre possibilidade de apoiar Mustrangi:

"Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não... mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais votos".


Picciani: ‘Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo tem que valer’

Rio - O presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, mantém em sua mesa um mapa do Estado do Rio e tem sempre à mão pesquisas de intenções de votos que já conduzem o partido do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes rumo às alianças para as eleições municipais de outubro. Nem precisaria. O estrategista do PMDB tem, de cabeça, boa parte das informações de que precisa para partir para cima dos adversários. Velha raposa política fluminense, Picciani não gosta de quem não cumpre acordo e jura que não mistura amizade com política. Aos peemedebistas do estado, avisa: “O partido tem um estatuto, uma comissão de ética”. Vale para soldados e generais do PMDB, presidente? “Principalmente para os generais.”
Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Picciani, com mapa do estado: planejamento do PMDB é eleger prefeitos em 45 cidades | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
O DIA: O PMDB vai apoiar candidatos do PT em quais municípios?
JORGE PICCIANI — O PMDB apoiará candidatos do PT em Paracambi, Paraty... Em Quissamã, nosso candidato Arnaldo Mattoso talvez seja vice também. Foi feito um acordo político. Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo, tem que valer. 

E em Niterói?
Vamos apoiar o prefeito Jorge Roberto (Silveira), do PDT. Ele apoiou o PMDB na eleição majoritária — para governador e senador em 2010 —, doente e com o problema do Morro do Bumba (favela onde mais de 40 pessoas morreram em deslizamento). Isso nos levou a assumir o compromisso de apoiar a reeleição. 

Mas o governo dele está mal avaliado...
O argumento de que ele não está bem não é político. Eu sou avalista dos acordos do partido. Não mudo de opinião em função das adversidades. Vai nos caber ajudá-lo a melhorar a administração. 

Na prática, o que significa ajudar a melhorar a administração em Niterói?
Numa aliança, você sugere melhorias. Ele teve dois episódios (que o prejudicaram), um pessoal e um político. Houve o desabamento do Bumba e ele teve um câncer. A questão do Jorge Roberto também tem um simbolismo grande porque o Cabral fez campanha duríssima a favor do (atual secretário estadual de Assistência Social e pré-candidato do PT) Rodrigo Neves (em 2008). Perdeu e estabelecemos uma relação administrativa que avançou para a relação política. Sou amigo pessoal do (secretário estadual de Trabalho e pré-candidato do PSD) Sérgio Zveiter. Sou amigo pessoal da família. O Cabral me perguntou: “Picciani, e o Zveiter?” Eu disse: “Não tenho esse compromisso”. Uma coisa é o Jorge Picciani, outra é o presidente do PMDB, que não sentou em momento nenhum com o Sérgio Zveiter, o Rodrigo Neves, nem com seus partidos e fez nenhum compromisso.

A dupla Zveiter e Rodrigo Neves é a aliança desejada pelo governador Sérgio Cabral para Niterói?
É uma vontade pessoal, nos cabe respeitar. São pessoas com quem ele está convivendo, que são secretários dele. Agora, o governador não interfere nas questões partidárias. Ele pode opinar, tem representantes dele nas decisões da Executiva e depois desses anos todos deve confiar nas minhas posições. Ele me visitou no hospital para me oferecer se eu queria ir para ministro. Eu disse: “Não quero ter função pública, vou presidir o partido”. Eu presido o partido, e o patrimônio desse partido, da política, é cumprir os compromissos. Mas algumas alianças podem ser desfeitas. Não vamos levar o partido ao suicídio. Se cometerem erros que não podem ser justificados, não temos que afundar num barco que não remamos.

Em Angra dos Reis, o candidato continua sendo o prefeito Tuca Jordão, do PMDB? 
Vamos definir este mês. Avança para a candidatura do deputado federal Fernando Jordão (também do PMDB, rompido com Tuca).

A expectativa é eleger quantos prefeitos?
Trabalho com 45. Falta combinar com o eleitor. (risos)

Na capital, a conta de 18 partidos com o prefeito Eduardo Paes inclui PV e PPS?
O PV tem um ato de vontade nossa, mas nenhum indicativo deles. Temos a possibilidade de trazer o PPS, desmontando um pouco a aliança de 10 anos com PSDB e PV. 

Qual é a chance de o PPS apoiar o Eduardo Paes?
Mais de 90%. Foram feitas todas as conversas. O (vereador) Paulo Pinheiro, que era contra, saiu (para o PSOL). 

Como o senhor avalia as pesquisas sobre o Rio?
Se somar todos (adversários), dá 30%. Sem o (senador Marcelo) Crivella (PRB), o Eduardo dá de três para um (na soma dos outros). A eleição será no primeiro turno. 

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pode dar trabalho?
É um bom candidato, mas só vai ajudar a dar mais brilho à vitória do Eduardo no primeiro turno.

Ele pode repetir a onda Fernando Gabeira (PV) nas eleições de 2008?
Não creio. Apesar de ser um rapaz com qualidades, ele é menos abrangente. O Gabeira tinha liberdade para aliança. O Marcelo fica engessado, antes de falar tem que perguntar ao partido.

Como o senhor vê a aliança entre Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) na capital?
É legítima, eles têm adversários comuns. 

Quem dará mais trabalho: Marcelo Freixo ou Rodrigo Maia?
Não temos muita preocupação. O Marcelo vai dar mais brilho à vitória do Eduardo, e os outros sairão menores do que entraram.

Como o senhor vê a criação do PSD?
A relação com o PMDB no Rio é quase umbilical. Tem uma decisão nacional da direção do PMDB de não entrar na Justiça (contra quem saísse do partido). Os (vereadores) que ficaram, se quiserem apoiar adversários, eu vou cortar legenda. Respeito as manifestações, mas depois de bater a convenção, todos, desde os generais aos soldados, estarão condicionados. Não são obrigados a fazer a campanha. Se o governador não se sentir bem em apoiar um candidato, não vai. Mas fazer campanha contra o PMDB ou candidatos apoiados pelo PMDB, não acredito que os soldados nem os generais farão.

E se tiver um rebelde?
Aí, tem que ver caso a caso. O partido tem um estatuto, uma comissão de ética...

... que vale para soldados e generais?
Principalmente para os generais.

Como o governador vai fazer campanha nos locais onde a base está rachada?
O sentimento pessoal será sempre respeitado, mas a gente nunca vai imaginar que ele fará campanha em todos os municípios. Ele fará onde o PMDB tem candidato, onde apoia candidato e onde se sentir à vontade. Não há uma regra, mas o partido tem que ter uma estratégia. A partir daí, eu, o Cabral, o (vice-governador Luiz Fernando) Pezão, quem tiver voto vai fazer campanha. O que vai no coração do Cabral ele não conta.

Como assim “no coração do Cabral”?
Vou dar um exemplo. Em Nova Iguaçu, ele diz: “Apoiei tanto o (deputado federal Nelson) Bornier na eleição anterior (para prefeito), e ele foi fazer campanha para o (José) Serra (PSDB). Eu pedi tanto para fazer para a (presidenta) Dilma (Rousseff)”. É uma campanha que ele (Cabral) começa sem muita vontade de fazer. Mas, quando engrenar, o que vai contar é o seguinte: é importante o PMDB ganhar em Nova Iguaçu. Então, o Cabral passa a ter simpatia de novo pelo Bornier.

O que acontece se o senador Lindbergh Farias (PT)decidir ser candidato a governador em 2014?
Está no direito dele. O que eu ouço nos bastidores é que ele é candidato pelo PT ou pelo PSB. Não tenho nenhuma dúvida de que ele vai ser candidato. O PMDB vai estar aberto para aliança. Se ele quiser ser o vice do Pezão, não tem problema. Se quiser ser candidato, vamos respeitar e derrotá-lo.

O cenário para 2014 passa muito pela Baixada. Lá, PMDB e PT estão separados em vários municípios.
A eleição para prefeito, com exceção da capital, tem zero influência na de governador. Quem vai decidir a eleição de governador não é o Pezão, é o Cabral. Nós vamos ganhar em 45 cidades, mas, mesmo que perdêssemos tudo, faríamos o governador. Se o Cabral fosse candidato à reeleição, se elegeria de novo. O Cabral vai chegar na sucessão dele muito melhor. Teremos avançado muito mais na área de segurança, com menores índices de criminalidade. O Cabral fará o sucessor, e o Lindbergh tentará se tornar ainda mais conhecido para tentar a reeleição no Senado e nos derrotar depois. 

O senhor considera o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, uma alternativa a Pezão?
Ele não é político, é uma pessoa da área de segurança. A grande sabedoria do Cabral é lhe dar autonomia e apoio. O partido é aberto a qualquer pessoa de bem, mas a minha opinião pessoal é que não se mistura segurança com política. O Pezão está identificado com o Governo Cabral. Na hora em que se tornar o candidato da continuidade, se tivermos índices que acham que o governo deve continuar, o Beltrame ajuda dizendo que, se for convidado, vai permanecer. Mas, se o governo for mal, não tem Beltrame, não tem ninguém. Se estiver mal, vão escolher a mim, que enfrento só pedreira. Eu sou candidato, só não sei a quê. Vamos esperar.

Em 2014, só terá uma vaga em disputa no Senado. O senhor se candidataria?
Eu seria candidato ao Senado, mas temos uma precedência, o senador (do PP Francisco) Dornelles. Se ele quiser continuar, vamos apoiá-lo. Se não quiser, abre-se uma discussão no PMDB. Se o Cabral não quiser, saio candidato. Se ele quiser, eu busco outro caminho. Minha preferência é disputar o Senado.

Voltando ao PSD, onde tem acordo?
Fizemos um acordo político que vale para 2012 e 2014 com o (prefeito de São Paulo e presidente do PSD Gilberto) Kassab, com o Indio (da Costa, presidente estadual do PSD no Rio) e com o (deputado) André Corrêa (secretário-geral do partido no Rio e líder do governo na Assembleia Legislativa).

Como fica a situação em Macaé, onde o secretário de Agricultura, Christino Áureo, é pré-candidato pelo PSD?
Em Macaé, temos candidato próprio. É o André Braga. O Christino Áureo é um rapaz ótimo, meu amigo de muitos anos, um quadro técnico maravilhoso, com nível para ser ministro da Agricultura. Ele botou na cabeça que é o ‘bola da vez’ para ganhar, mas as pesquisas mostram que não tem nenhuma chance. Quem conhece ele, não gosta. Eu sou exceção, que gosto, mas não voto em Macaé. Forte lá é o nosso adversário, o (deputado federal) Dr. Aluizio, do PV. Ele é o ‘bola da vez’. Vamos ter que bater nele até ele virar pó, senão não ganhamos. A eleição lá é muito difícil. 

O PSD discute o nome do deputado estadual Wagner Montes para o Senado. O acordo vale para senador também?
O Wagner Montes sempre é pré-candidato a tudo. Nós fizemos um acordo de os partidos ficarem juntos. 

Mas quem foi para o PSD foi porque não tinha legenda para concorrer ao cargo que queria.
O Wagner, se quisesse ter sido senador, poderia pelo PDT. Mas ali a convivência é muito difícil. O PDT vive um momento muito difícil. Uma das razões para eu querer apoiar o Jorge (Roberto, prefeito) em Niterói é resgatar o Jorge. Para nós, o PDT é fundamental na eleição de 2014. Se você deixa esfacelado, o PDT vai para o lado do adversário. O suplente do Lindbergh é do PDT. O Rodrigo Neves hoje é Cabral, mas, se ganhar, fortalece o Lindbergh. Eu aqui trato de partido, não tem a ver com gostar ou não gostar, ser mais simpático. Esse Rodrigo Neves tenta puxar o meu saco o tempo todo, só que o Cabral gosta e eu não gosto. São temperamentos diferentes. Cabral é muito mais educado, mais refinado. Eu estou na política, e a minha responsabilidade é levar o partido à vitória dentro da compreensão de que quem tem cacife ou não para fazer o sucessor é o sucesso do Governo Cabral. Dá tranquilidade para o Cabral governar ter um partido com quem tem experiência, seriedade e respeita acordo. Isso permite ao governo não ter que se meter nesta seara. Da mesma forma, ter alguém aqui que não usa o partido para se meter nas questões do governo é bom para o governo também.

As alianças com o PT esbarram em 2014?
Não. Eu penso o seguinte: queria apoiar o prefeito de Maricá, o Quaquá, que é do PT. Ele foi muito bacana comigo na campanha. Mas fizeram uma pesquisa, e ele tem 5% de intenções de voto, 70% de rejeição. Já o candidato do PMDB tem 35% de intenções. Aí, a simpatia tem que acabar. Não havia um acordo partidário, havia uma simpatia minha. Sou duro na negociação, senão não conduzo o partido. A questão do PT, se você pega cidade por cidade, é que não tem quadros. Lindbergh foi prefeito duas vezes em Nova Iguaçu. Quem ele preparou? Em Nilópolis, quem tem? Em Mesquita, o Artur Messias, que foi prefeito duas vezes, é meu amigo pessoal. Quem preparou para sucedê-lo? Não preparou. Então, eu vou levar o PMDB a um desastre? Não é porque eu não quero. Em Belford Roxo, o Cabral tem botado 100, 200 milhões em asfalto, e os índices (do prefeito Alcides Rolim) são desesperadores. O que vamos fazer? Brigar com todo o PMDB? Em Caxias, veio o líder do PMDB (na Alerj), deputado André Lazaroni, meu amigo querido, falar: “É minha mãe”. Eu adoro a Dona Dalva (Lazaroni, pré-candidata do PT), mas cadê? 0,2% na pesquisa. Eu falei: “Não deixa ela passar esse sofrimento. Lança ela vereadora no Rio e eu faço ser puxadora de votos do PMDB. Tira tua mãe do partido e vamos ver”. Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não... mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais voto? Em Teresópolis, roubaram a cidade, destruíram a cidade, como vamos apoiá-los? Ele (Jorge Mário, expulso do PT) veio aqui, e disse: “Tenho quatro partidos me assediando, quero ir para o PMDB. Eu disse: “Arruma outro, vamos te cassar”.

São Gonçalo tem uma situação peculiar, tem dois pré-candidatos do PMDB. Como se decide?
A eleição lá é dificílima. Temos o deputado federal Edson Ezequiel e a deputada estadual Graça Matos. Em qualquer pesquisa, um ou outro está na frente. O deputado federal Neilton Mulim, do PR, apoiado pelo Garotinho, está em segundo, o deputado estadual do PSB Rafael do Gordo, em terceiro, o deputado estadual José Luiz Nanci, do PPS, em quarto, o Adolfo Konder, do PDT, apoiado pela prefeita (Aparecida Panisset), em quinto, e a Alice Tamborindeguy, do PP, crescendo. Fizemos um acordo (com PSB e PPS) para escolher o candidato com mais chance, mas tem que ser por consenso. Tem cidade onde você pode fazer intervenção, expulsar, mandar prender. Em São Gonçalo, não. A eleição é de dois turnos. Se perdemos (no primeiro), apoiamos o candidato da prefeita. Mas também queremos que ela nos apoie. São Gonçalo é diferente de tudo. É o município mais perigoso para a gente.

O Marco Antônio Cabral, filho do governador, sai candidato em 2014?
Eu acho que tem que ser puxador da legenda para (deputado) federal. Eu, como presidente do partido, o quero como candidato, mas vai depender das condições políticas da época e de onde o pai estiver. Acho que ele seria um sucesso em termos de voto, e eu estou aqui para cuidar do melhor para o PMDB. O Cabral não vai gostar (de eu falar) disso, não.

É verdade que o governador não gostou quando o senhor falou isso pela primeira vez?
Eu sempre faço a ressalva, eu falo o que eu penso, não combinei nada com eles. Eu digo sempre, aonde eu vou, quando me perguntam, eu falo as coisas que eu acho. Mas eu não combinei com ninguém, não. Mas eu continuo achando que não terá alternativa. Ele (Cabral), para eleger o Pezão, tem que se desincompatibilizar, ou (para concorrer) a vice-presidente ou a senador... E, com isso, vai resolver naturalmente a questão do anseio de uma militância imensa do partido que quer o Marco Antônio candidato.

 O Dia

OPINIÃO: Financiamento da Saúde - Por que taxar grandes fortunas

Em artigo publicado no Jornal O Globo, Jandira Feghali avalia
a taxação de grandes fortunas para o financiamento da saúde

Somos mais de 190 milhões. O nosso país melhorou bastante socialmente, mas ainda convivemos com grandes disparidades de renda, patrimônio, escolaridade, acesso a bens e serviços públicos. Também desproporcional é a relação entre a capacidade econômica das pessoas e a tributação a que estão submetidas. Nosso sistema tributário não está voltado para diminuir as desigualdades. Segundo o Ipea, as famílias mais pobres, com renda de até dois salários mínimos, gastam 49% da renda com tributos; para as com renda superior a 30 mínimos, com maior capacidade econômica e patrimônio muito superior, a conta é quase a metade, 26%.

Nesse sistema injusto, 16,3 milhões estão obrigados a apresentar e pagar Imposto de Renda. Analisando dados da Secretaria da Receita, percebe-se o tamanho da concentração patrimonial. Na base da pirâmide, mais de 97% dos declarantes possuem apenas 49% do patrimônio declarado. No topo, 0,1%, cerca de 18 mil pessoas, concentram 26% do patrimônio do conjunto das pessoas físicas. Na tentativa de contribuir para um sistema tributário mais justo, tramita na Câmara o projeto de lei complementar 48/11, do deputado Dr. Aluízio (PV/RJ), que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas, do qual sou relatora, na Comissão de Seguridade Social e Família. O projeto tem vantagens sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas previsto na Constituição há mais de 20 anos e não instituído até hoje: como contribuição social, as receitas arrecadadas podem ser direcionadas para a Saúde, faculdade impedida no caso dos impostos, que são desvinculados; e podem se r alcançadas fortunas sob as mais diversas formas patrimoniais, o que também enfrentaria óbices com o imposto. Nos termos do meu voto, a arrecadação da contribuição significará aporte adicional de R$14 bilhões para a Saúde. Somente serão tributadas pessoas com patrimônio líquido superior a R$4 milhões, depois de deduzidos, integral ou parcialmente, imóveis residenciais e outros bens relacionados ao trabalho (salas, consultórios e respectivos equipamentos). Pelos dados da Receita, há apenas 56 mil pessoas habilitadas nas faixas patrimoniais acima desse piso. O projeto determina tributação progressiva. Uma pessoa com patrimônio de R$5 milhões pagaria 0,4% sobre o que exceder a R$4 milhões. Desse modo contribuiria com R$4 mil. Com patrimônio de R$20 milhões, a alíquota seria de 0,8% e, depois de abatimentos e descontos, pagaria R$87 mil. Aqueles com patrimônio de R$100 milhões seriam tributados em R$1,04 milhão. Para melhor atender à justiça fiscal, 70% da arrecadação viriam de 900 indivíduos cujas fortunas ultrapassam R$115 milhões. Será, de fato, uma contribuição sobre grandes fortunas.

Vale ressaltar que, nas maiores faixas patrimoniais, acima de R$120 milhões e de R$150 milhões, as alíquotas seriam de 1,8% e 2,1%. Embora produzam efeito, são alíquotas diminutas frente à evolução patrimonial dessas pessoas. A Receita informa que, ao longo de 2009 – um ano de crise -, o patrimônio das pessoas que superam a casa dos R$100 milhões elevou-se de R$418 bilhões para R$542 bilhões, crescendo 30% num único ano. Nesse contexto, uma tributação adicional de 2% representa muito pouco para esse pequeniníssimo segmento social, mas representará um significativo aporte de recursos para a saúde pública que atende os 190 milhões de brasileiros.


Jandira Feghali

sábado, 7 de janeiro de 2012

AS CIDADES PODEM MAIS: DIAGNÓSTICO




A transformação do Brasil num país majoritariamente urbano foi processada com extrema rapidez e de forma não planejada, provocando assim, um contencioso social enorme. As cidades incharam, como conseqüência, grandes deformações foram incrustradas em meio aos seus desenvolvimentos.

O centro da preocupação de qualquer cidadão e ainda mais dos governantes, deve ser buscar formas de dar respostas a esse contencioso que foi forjado. Duas tarefas são fundantes: em primeiro lugar, enfrentar os graves desajustes sociais que afetam as cidades, sobretudo suas comunidades mais pobres. O fato é que nas zonas periféricas se acumularam gravíssimos problemas. Instaurou-se um descompasso entre as demandas oriundas dessa realidade e a capacidade de dar respostas das administrações municipais. As péssimas condições de vida do povo desses lugares retratam a abissal desigualdade social que há no Brasil. As cidades com suas periferias – onde o povo padece toda sorte de privações – refletem as distorções do modelo de desenvolvimento adotado até bem pouco tempo. É uma face da concentração de renda e da desigualdade.

Por estes motivos a prioridade é dar resposta a essa situação dramática e perversa que impera nas comunidades pobres. Como? Para que progressivamente sejam atenuados os traços dessa desigualdade social é preciso que o Estado avance na promoção da universalidade e da qualidade dos serviços, principalmente da saúde, da educação e da moradia. O incremento dessas políticas públicas só é possível com uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipal. Se não há acesso a esses três serviços e se estes não são prestados com qualidade, não há como fazer para que se amainem as desigualdades. Trata-se então, de uma necessidade de ampliação e aprofundamento democrático para se enfrentar essa herança de exclusão social.

Segundo, outras questões afetam a cidade em seu conjunto: meio ambiente, transporte, segurança pública e participação popular. O processo de urbanização caótico e o modelo de desenvolvimento medíocre que não buscou harmonizar as atividades econômicas com a preservação ambiental devastaram as cidades, destruindo matas e poluindo rios. O saneamento, apesar dos esforços do governo federal, esta longe de ser universal. O impacto é generalizado, mas mesmo nessa temática são os pobres os que sofrem mais, muitos vivendo em áreas de risco e em locais insalubres.

Na questão do transporte é imperativo pensar alternativas criativas. Se não há transporte coletivo ágil e de qualidade a cidade toda é atingida. É um contencioso que foi se acumulando, se agravando porque não se tratou adequadamente, por este motivo não existem mais saídas suaves. Esse é um problema que deveria ter recebido atenção e investimento ao longo dos anos para que não se chegasse ao estrangulamento que várias cidades se encontram. O transito caótico e a lentidão do sistema de transporte coletivo rebaixam a qualidade de vida das pessoas e oneram os municípios.

Ante a crescente criminalidade e violência urbana a segurança pública tornou-se preocupação destacada dos cidadãos. A violência atinge a todos. Embora tenha um recorte claro de que na maioria das vezes os ricos são alvos de crimes contra o patrimônio e os pobres são vítimas de crimes contra a vida, se assemelhando por motivos distintos às mulheres. O quadro trágico tem sido pintado com sangue da nossa juventude pobre, sendo desta o maior número de vítimas. O rol de medidas que possam assegurar a paz nas cidades requer como princípio basilar o respeito aos direitos humanos e uma interação entre as esferas de governo, além disso, a conjugação de ações de prevenção e repressão e ainda, canais abertos com a sociedade, para que sejam ouvidas sugestões e queixas oriundas da implementação dessas políticas.

Por fim, a questão da participação popular que também atinge o conjunto da sociedade. A democracia ainda não é uma das marcas dos governos municipais no Brasil. Governar em torno de alianças amplas e com a participação de todos, conjugando identidades entre forças políticas e sociais é um caminho difícil. É necessário reunir convicções no seio dos governos para levar adiante esta política. A participação popular, enquanto bandeira pode-se dizer, é uma forma de governar. A boa governança se faz ouvindo sempre os aliados, os diversos segmentos da sociedade e as instituições. O compromisso de incentivar a formação de fóruns, de espaços de participação popular onde a própria população tenha canais para expressar suas opiniões é uma necessidade do novo tempo e a marca de um bom governante.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As Câmaras Municipais diante das pequenas e grandes questões




Diz-se com razão que a Câmara Municipal é de todos os poderes da República o mais acessível à população e que o vereador é o detentor de cargo público mais próximo do cidadão comum. O que acontece na cidade, ou ao lado de sua casa, tem a ver com a possibilidade de interferência do vereador. Isso vale para todos os 5.564 municípios brasileiros – mesmo para os de médio e grande porte.

Fala-se também, entretanto, que as Câmaras Municipais, por isso mesmo, via de regra se concentram em questões paroquiais, dissociando-as do que ocorre no mundo e no país. Pode ser. Isso em decorrência das pressões espontâneas da população e, em certa medida, do perfil político predominante entre os ocupantes das casas legislativas. Mas os dias que correm dão ensejo a que as Câmaras Municipais possam tratar dos problemas localizados, imediatos e circunstanciais em estreita combinação com as grandes questões que movem o país, repercutem no estado e impactam a vida da cidade. É só ter olhos para ver e disposição para desse modo proceder. Porque a realidade objetiva assim impõe; e o descortino espontâneo da população permite.

A chamada crise global dá o tom de todo o noticiário – nas grandes redes de TV e rádio, na mídia impressa, na internet e também nas mais simples rádios locais, incluindo as comunitárias de alcance circunscrito ao bairro e adjacências. E mais, fatos da grande política e da economia têm tudo a ver com o cotidiano de cada habitante do município. Temas para debate nas Câmaras Municipais e das organizações locais da sociedade. O vereador tem um papel irrecusável nisso – em favor do desenvolvimento econômico e da elevação da consciência cidadã.

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