segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Volto no dia 5 de janeiro



“Irmãos, cantai esse mundo

que não verei, mas virá

um dia, dentro de mil anos,

talvez mais ... não tenho pressa.

Um mundo enfim ordenado,

uma pátria sem fronteiras,

sem leis e regulamentos,

uma terra sem bandeiras,

sem igrejas nem quartéis,

sem dor, sem febre, sem ouro,

um jeito só de viver,

mas nesse jeito a variedade,

a multiplicidade toda

que há dentro de cada um.

Uma cidade sem portas,

de casas sem armadilha,

um país de riso e glória

como nunca houve nenhum.

Esse país não é meu

nem vosso ainda, poetas.

Mas será um dia

o país de todo homem”.

“Cidade Prevista” de Carlos Drummond de Andrade

Feliz 2009!


domingo, 21 de dezembro de 2008

Costa brasileira agora é santuário de baleias e golfinhos


As águas da costa brasileira agora são santuário de baleias e de golfinhos. Decreto assinado esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça a proibição da caça de golfinhos e baleias nas águas sob jurisdição do país. De acordo com o decreto, “estão permitidos a pesquisa científica e o aproveitamento turístico ordenado”.


Família de golfinhos em Fernando de Noronha
A medida reforça a posição brasileira na Comissão Internacional Baleeira, que desde o fim da década de 1980 proibiu a caça e a pesca desses animais, na chamada moratória da baleia.

“Há uma queda de braço em nível internacional. O Japão faz pressão mundial para que a caça de baleias seja permitida. A criação do santuário é um recado para os predadores”, disse o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Com a declaração do santuáriopublicada no Diário Oficial da União, o Brasil passará a defender oficialmente em foros internacionais a integração de políticas para conservação das baleias e golfinhos em todo o Atlântico Sul, o que inclui Argentina, Uruguai e países da costa da África.

“O que era orientação política à chancelaria brasileira, agora é uma determinação legal. Em discussões internacionais, o Brasil vai ter que se posicionar contra essa atividade”, explicou o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello.

A aprovação do santuário atende a uma demanda antiga de organizações não-governamentais ambientalistas.

Haroldo Lima: ''10ª Rodada nunca ameaçou soberania''


Em sua mensagem de Ano Novo aos demais membros da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o diretor-geral da Agência, Haroldo Lima, entra na polêmica com os setores que se opuseram à 10ª Rodada, concluída no último dia 19. ''Os riscos à soberania brasileira que alguns advertiam revelaram-se inexistentes, na verdade nunca existiram, em um processo dirigido por um governo sintonizado com o ideal de um Brasil soberano'', afirma


Haroldo Lima: 'Estamos satisfeitos com a Rodada'

Haroldo Lima – que se caracteriza como ''nacionalista militante de várias décadas'' – argumenta que na 10ª Rodada, ''das multinacionais que ganhariam de 'mão beijada' os blocos em oferta, só uma de fato apareceu e ganhou cinco blocos no São Francisco''. Celebra o fato de que as empresas estrangeiras estiveram pela primeira vez em minoria. Destaca ainda que ''a Petrobras, a grande estatal construída pelo povo brasileiro, arrematou 27 dos 54 blocos concedidos, exatamente 50% do conjunto''.

A controvérsia do pré-sal

Em outro texto, o diretor-geral da ANP polemiza com outro argumento contrário à 10ª Rodada, que levanta como bandeira defesa do pré-sal. ''O pré-sal é todo no mar, em águas ultra profundas. A 10ª Rodada não continha nenhum bloco em mar. Por razões dessa inconsistência, os apoios foram fugindo do chamado movimento pela suspensão da 10ª Rodada'', avalia Haroldo Lima.

Dirigente do PCdoB desde a clandestinidade e um dos últimos presos políticos da ditadura e deputado constituinte de 1986, o atual diretor-geral da ANP sustenta há anos, de um ponto de vista de esquerda, uma controvérsia com o movimento sindical dos trabalhadores petroleiros e outros setores que rechaçam os leilões do petróleo por considerá-los ''entreguistas''. Em fevereiro passado lançou um livro sobre o tema – Petróleo no Brasil, a situação, o modelo e a política atual.

Veja o trecho final da mensagem de Ano Novo, onde Haroldo faz o seu balanço da 10ª Rodada.

“Não poderia encerrar essa mensagem sem uma palavra sobre a rodada de licitações que ontem realizamos e de fazer uma apreciação rápida sobre a mesma.

A 10ª Rodada foi coroada de êxito. Os números básicos, por si, são expressivos: valor alcançado em bônus de assinatura R$90 milhões; valor alcançado em programas exploratórios mínimos R$ 611 milhões; empresas habilitadas 40, brasileiras 23, estrangeiras 17; empresas estreantes 5, brasileiras 4 e estrangeira 1; empresas vencedoras no certame 17, brasileiras 11, estrangeiras 6. Mas, além disso, há algumas singularidades na 10ª Rodada.

As regras da Rodada não discriminam nem privilegiam qualquer empresa, mas foi a primeira vez em rodadas desse tipo que o número de empresas brasileiras, participantes e vencedoras, foi maior que o das estrangeiras. Não que sejamos contrários a que empresas estrangeiras, devidamente reguladas, estejam em petróleo e gás no Brasil. Isto ocorre em todo o resto do mundo. Mas é que empresas brasileiras não participavam até pouco tempo desse setor no Brasil.

E essa rodada mostrou que estamos conseguindo convencer as empresas brasileiras de que também elas podem atuar em E&P [exploração e pesquisa] de petróleo e gás em nosso país, ainda que não tenham o porte das grandes empresas. Quando assinarmos os próximos contratos de concessão, em abril de 2009, sairemos de 72 e passaremos a ter em E&P no Brasil 77 empresas, das quais 40 serão brasileiras. É ainda um número pequeno, mas não tínhamos nada há pouco tempo atrás.

A 10ª Rodada também foi a primeira no Brasil a oferecer apenas blocos terrestres, situados nas bacias sedimentares estendidas pelas vastas áreas do interior de nosso país. A empresa que ganha, na disputa, o direito de explorá-los para eventualmente produzir petróleo e gás, assume também o compromisso de investir em municípios interioranos, levar-lhes trabalho e serviços, ajudar a aproximá-los dos, às vezes, remotos bens da civilização.

A competição que privilegia os Programas Exploratórios Mínimos faz com que os recursos destinados a esses programas cresçam bem acima do mínimo, o que é muito bom, para o povo simples do interior, vez que todos esses recursos serão executados localmente. E foram mais de R$611 milhões a esse fim destinados.

No instante em que escrevo essas linhas, recebo uma chamada telefônica do Governador de Alagoas, Theotônio Vilela Filho, para que eu confirmasse se era verdade que Alagoas iria receber, em decorrência da 10ª Rodada, R$36 milhões de investimentos. Confirmei. Pediu-me uma informação escrita.

O governador estava exultante. Não é comum investimentos desse porte irem para o interior brasileiro e serem fiscalizados na sua aplicação, pela Agência Nacional de Petróleo. E o certo é que investimentos lá vão para o Amazonas, nas proximidades de Manaus, para o Mato Grosso, perto da fronteira com a Bolívia, para o Paraná, perto do Paraguai, e mais, para o Rio Grande do Norte, para o Recôncavo baiano, para a margem oeste do São Francisco, em Minas Gerais e para a bacia Sergipe/Alagoas, no lado alagoano.

Assim, estamos satisfeitos com a 10ª Rodada. Cumprimos nosso dever, nós todos, os que fazem a ANP, seguindo a orientação e com o pleno apoio do Ministério de Minas e Energia e do Governo do Presidente Lula. No quadro de crise que já assola o mundo e em parte o Brasil, contribuímos com investimentos da ordem de R$700 milhões, que começarão ano que vem, defendendo os trabalhadores brasileiros com oferta de trabalho.

Os riscos à soberania brasileira que alguns advertiam revelaram-se inexistentes, na verdade nunca existiram, em um processo dirigido por um governo sintonizado com o ideal de um Brasil soberano e por uma agência dirigida, entre outros, por eu próprio, nacionalista militante de várias décadas.

Das multinacionais que ganhariam de “mão beijada” os blocos em oferta, só uma de fato apareceu e ganhou cinco blocos no São Francisco. E se tivessem aparecido em maior quantidade e arrematado mais blocos, nem por isso a soberania brasileira estaria ameaçada, posto que os contratos que teriam que assinar salvaguardam precisamente o interesse nacional. A Petrobras, a grande estatal construída pelo povo brasileiro, arrematou 27 dos 54 blocos concedidos, exatamente 50% do conjunto, em processo aberto e na disputa.

Quero, para completar, fazer uma saudação especial a todos os que estiveram diretamente envolvidos com a 10ª Rodada, aos que separaram as áreas que foram à apreciação do CNPE, aos que montaram e executaram toda a Rodada, aos que ficaram nas trincheiras das batalhas jurídicas, aos que trabalharam nos serviços de apoio, aos que estiveram de prontidão na segurança do evento e todos os demais servidores dessa Agência que construíram não só a 10ª Rodada, mas todas as vitórias que tivemos no ano que finda.
Para todos, um sincero Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Haroldo Lima
Diretor-Geral.”

sábado, 20 de dezembro de 2008

Demissões: protesto põe mil bebês esmolando em frente à Vale

Na mesma sexta (19) em que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego se manteve estável em novembro, cerca de 150 manifestantes acenderam velas, colaram marca de pés nas nádegas e espalharam mil bonecos de bebês pedindo dinheiro em frente à sede da Vale, centro do Rio. O ato contra o desemprego lembra as famílias dos 1.300 trabalhadores já demitidos. Além das dispensas, a mineradora colocou 4.400 funcionários em férias coletivas.
"Foi também um ato contra as declarações do empresário do Agnelli, que quer cortar os direitos trabalhistas", afirmou o diretor do Sindimina (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Prospecção, Pesquisa e Extração de Minério do Rio de Janeiro), Jorge Campos. Além do Sindimina, também a CUT promoveu a manifestação.

Campos ainda se referiu a uma entrevista de Agnelli, ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o executivo defendeu a flexibilização da legislação trabalhista para as empresas poderem atravessar a crise.

“O que poderia ser flexibilizado é o preço do minério de ferro. AVale não mudou sua postura diante dos compradores, continuou tentando pressionar os preços para cima. A flexibilização deve ser também na negociação dos preços, para que não se perca as vendas e não apenas dos direitos trabalhistas”, comentou Campos.

Bonecos simbolizam as famílias dos 1.300 trabalhadores demitidos pela Vale

Disposição de negociação

O sindicalista disse que na segunda-feira (22) vai encaminhar uma carta a Agnelli e ao presidente do Conselho de Administração da Vale, Sérgio Rosa, propondo que a Vale revogue todas as demissões realizadas desde novembro não só no Brasil, mas em todas as bases da mineradora no mundo. De acordo com Campos, seriam até 3 mil demissões no total. Em troca, o Sindimina aceita negociar redução de jornada de trabalho, com diminuição de salário.

“Caso a Vale aceite recontratar todos os funcionários demitidos desde o dia 1º de novembro até hoje, aceitamos negociar a redução de jornada com redução de salários”, disse o presidente do Sindminas.

No começo do mês de dezembro, o presidente Lula cobrou do presidente da Vale, Roger Agnelli, o motivo das demissões. “Liguei para Roger e perguntei: por que você mandou 1.300 trabalhadores embora? Qual é a crise?”, disse o presidente Lula.

Desemprego estável

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego do país ficou em 7,6% em novembro, praticamente estável na comparação com outubro (7,5%).

A pesquisa do IBGE coleta dados nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a população ocupada nestas regiões (22,1 milhões de pessoas) "também não apresentou alteração em relação a outubro".

O contingente de desocupados (1,8 milhão) também ficou estável na comparação do resultado de novembro com outubro, mas caiu 6,1% na comparação com o mesmo mês de 2007.

A força política e eleitoral do bloquinho

por Antônio Augusto de Queiroz

É unânime entre os analistas políticos o diagnóstico de que o PMDB foi o grande vencedor das eleições municipais, tanto em números de votos quanto em números de prefeitos e vereadores eleitos, inclusive quanto ao seu crescimento nas capitais e nas cidades com mais de 200 mil eleitores.
Sobre a segunda força política e eleitoral, entretanto, não há consenso. Alguns apontam o PSDB, que foi o segundo em número de prefeitos e vereadores. Outros citam o PT, o segundo em número de votos. Mas ninguém analisou o desempenho do bloquinho (PSB/PDT/PCdoB/PRB/PMN), que, realmente, foi o segundo em número de prefeitos e de vereadores, tendo superado tanto o PSDB quanto o PT, conforme tabela a seguir.

Partido/Bloco Prefeitos eleitos (%) Vereadores eleitos (%)

PMDB 1.200 = 21,72% 8.492 = 16,34%

Bloquinho 797 = 14,42% 8.449 = 16,26%

PSDB 786 = 14,22% 5.905 = 11,36%

PT 559 = 10,11% 4.168 = 8,02%


O bloco de esquerda (PSB/PDT/PCdoB/PRBPMN), conhecido como bloquinho, é uma força política e eleitoral que jogará papel importante na eleição dos presidentes da Câmara e do Senado e, principalmente, na sucessão do presidente Lula, basicamente por seis razões: 1) possui militância, 2) tem capilaridade, 3) dispõe de máquina administrativa, 4) conta com recursos, 5) possui a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados, e 6) dispõe de nomes para a Presidência ou Vice-Presidência da República.


Apenas para exemplificar seu peso político, na eleição proporcional de 2006 para a Câmara dos Deputados, o bloquinho teve 13,6 milhões de votos, atrás apenas do PT, que teve 13,9 milhões, e à frente do PMDB, que teve 13,5 milhões e do PSDB, que teve 12,8 milhões. É, entre as quatro forças políticas em análise, quem mais recebe recursos do Fundo Partidário.


Além disto, no plano estadual, já administra os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, pelo PSB, e Amapá e Maranhão, pelo PDT. E administrará, a partir de 2009, pelo menos uma grande capital, Belo Horizonte, além de contar com bom número de prefeitos e vereadores nas cidades com mais de 200 mil eleitores.


Com um arsenal desses de votos, recursos, máquina e livre da polarização PT x PSDB, que hoje predomina no cenário político nacional, não é uma força que possa ser secundada numa campanha presidencial, especialmente se mantiver unidade política e de ação.

DEMISSÕES NA FÁBRICA CARL ZEISS

O Sindicato Trabalhadores na Ind. Química de Petrópolis - SindQuimp esta recebendo trabalhadores da Fabrica Carl Zeiss lentes que estão sendo demitidos devido a uma reestruturação em curso na empresa, e desde o começo do ano de 2008 já foram efetivadas cerca de cem demissões no total. esta semana o sindicato espera ao menos outras 40 demissoes

Para o representante do sindicato José Carlos Kopek as demissões são preocupantes mas a saúde da empresa e a continuidade das suas atividades não estão em duvida.

- O que preocupa o sindicato não são as demissões em si mas se os direitos trabalhistas estão sendo pagos e respeitados como férias, 13°, fundo de garantia horas extras. Claro que a força do sindicato é o maior número possível de empresas e empregados e que os empregos sejam mantidos, mas se existe reestruturação na empresa e as demissões são inevitáveis cuidamos para que tudo seja pago corretamente e é este o caso. A empresa está agindo corretamente. Se acontecer algum erro comunicamos ao DP da empresa que refaz as contas e emite rescisão complementar para regularizar o pagamento, sem dificuldade alguma.

São Aproximadamente 1200 empregados nas duas fábricas em Petrópolis, apenas a unidade de Surfaceamento de lentes será desativada e seus serviço terceirisados para empresas do rio de janeiro. A empresa possui 10,4 mil funcionários em atuação em 30 países.
Olha a fala do Sindicalista!!!! Se alguém não sabe o que é um PELEGO tá ai um descarado!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aborto: o Brasil não pode fechar os olhos

O debate sobre os direitos sexuais e reprodutivos da mulher tem ocupado, a cada dia, mais espaço na agenda do governo, do parlamento e do judiciário. Isso se deve à luta das mulheres em suas mais variadas organizações por reconhecimento a direitos negados em nome, principalmente, da ética e moral religiosa.

Contudo, e talvez pela primeira vez na história do país, o principal dirigente do Estado arriscou dar declarações favoráveis à mudança do foco que tem prevalecido na abordagem do tema, trazendo-o para a ótica da saúde pública.

No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de abortos clandestinos aconteçam por ano. Dados do SUS mostram que nos últimos cinco anos, mais de 1,2 milhão de mulheres foram internadas com os mais variados problemas de saúde em consequência de abortos realizados sem as mínimas condições de higiene e segurança.

Os depoimentos do presidente Lula sobre essa questão geraram forte reação dos movimentos contra o aborto, em particular dos setores mais vinculados à Igreja. Na ocasião da visita do Papa Bento XVI ao Brasil o assunto ganhou grande visibilidade na mídia e reascendeu a discussão. Outro momento sensível do debate foi a apreciação e votação, pelo Supremo Tribunal Federal, da liberação do uso de células tronco embrionárias para terapias genéticas que, na visão dos setores contra o aborto, seria um passo para abrir a discussão da legalização da interrupção da gravidez nos país.

A reação a um possível posicionamento do governo favorável ao tema veio na forma de protestos, de apresentação de projetos de lei anti aborto na Câmara dos Deputados, inclusive alguns que são piores que a já ultrapassada legislação existente, que permite o aborto em casos de risco de morte para a mãe e de estupro.

Recentemente, a Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul abriu verdadeira caça às bruxas a partir do fechamento de uma clínica que realizava abortos. Os arquivos do local foram apreendidos e cerca de 10 mil mulheres foram indiciadas, numa ação inaceitável e que passa por cima dos mais elementares direitos humanos.

O Brasil precisa avançar muito nesse debate. As declarações do presidente Lula, inclusive a mais recente feita durante a abertura da 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, precisam ter desdobramentos práticos no sentido de garantir à mulher esse direito. O país não pode mais olhar de braços cruzados esse drama que atinge, particularmente, as mulheres das camadas mais populares, as principais vítimas desse atraso na legislação brasileira.

ENTREVISTA: MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES

O país não pode mais contar com o BC; governo deve investir pesado no gasto social".

Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares diz que o Brasil não pode mais contar com o BC. "A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico". Para ela, a grande batalha de 2009 é fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo. Ao falar sobre 2010, manifesta apoio a Dilma Roussef e diz que ela mais consistente do que José Serra. E lança um desafio ao PT: "o partido precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial.

O consenso nacional para derrubar a taxa de juro, unanimidade que agora arregimenta até conservadores de carteirinha, chegou tarde demais, na opinião da economista Maria da Conceição Tavares. Ela acredita que o BC irá fazê-lo em gotas de sereno, a partir de janeiro de 2009, quando esse simbolismo já não terá mais capacidade de reverter a dinâmica deflagrada pela crise.

Expectativas pessimistas e revisões em planos de investimento puseram-se em marcha ao longo da omissão persistente da política monetária comandada por Henrique Meirelles nos últimos anos. A ortodoxia encastelada no BC fez a sua escolha. E a cumpriu com fidelidade. “O Brasil não pode mais contar com o BC”, diz Conceição. Seus membros prestaram um desserviço ao país para servir ao rentismo, que os ancora e protege.

“A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico”, resume e prossegue calmamente. “Reduziu-se a um estorvo apenas; uma irrelevância diante dos fatos, das urgências e das possibilidades que se colocam para a economia e o governo. Essa gente já não consegue mais sequer me provocar indignação, apenas cansaço”.

O tom sereno do diagnóstico não é usual, por isso mesmo soa mais forte que pancada. Vindo de quem vem, não poderia haver manifesto de desprezo mais contundente a uma esfera de governo que se fez obsoleta para os interesses do país. A professora, como Maria da Conceição é tratada carinhosamente pelos seus admiradores, discípulos e ex-alunos, e até por adversários, não costuma poupar decibéis na defesa de idéias sempre vigorosas. Que o faça agora em tom plano é um sintoma eloqüente do menosprezo que atribui à instituição e à política monetária nas questões decisivas dos próximos meses.

A grande batalha que mobiliza a professora nesse momento, tão difícil quanto foi a do juro, envolve uma conseqüência que faz enorme diferença: perder desta vez seria definitivamente fatal. Evitar esse desfecho é o propósito que devolve a determinação costumeira à sua voz. “Fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo; em torno disso acontecerá a batalha decisiva para vencermos ou não a travessia de 2009”. É assim que ela define o que está em jogo na economia e na política de agora em diante. “Portanto, meu Deus”, e aqui está de volta a oratória envolvente da decana dos economistas brasileiros, “os que falam em cortar gasto de custeio que me perdoem, não sabem do que estão falando. Política social também é custeio. E se não é tudo, talvez seja o único grande trunfo que o governo controla, a partir do qual poderá agir com eficácia e rapidez diante da crise”.

Gastar mais na esfera social, no seu entender, é a injeção de adrenalina capaz de preservar a atividade, o emprego e o poder aquisitivo; ao menos naquele pedaço do Brasil que escapou da linha da pobreza durante o governo Lula e hoje agiganta o mercado interno, proporcionando ao país uma variável que o distingue na resistência ao colapso econômico mundial. Sim, isso poderia incluir até a antecipação de reajuste do salário mínimo, “como propõe o Carneiro”, diz Conceição (NR: economista Ricardo Carneiro, leia artigo nesta página). “Mas veja bem, estamos diante de uma questão política, não uma unanimidade tardia como parece ser a do juro hoje. Ampliar a despesa social é o que pensamos nós, economistas heterodoxos, assim como dizíamos há meses – anos - que era preciso baixar os juros. Mas por enquanto não há consenso sobre isso; talvez nem dentro do próprio governo. É uma corrida contra o tempo, motivo pelo qual insisto: o gasto de custeio social é a nossa chance de defender o país contra o desemprego e a recessão. Mesmo assim serão tempos difíceis”.

Não se trata apenas de vencer um percurso econômico. Conceição antevê nessa travessia a prefiguração do teste eleitoral a que será submetido um projeto que ela ajudou a construir nos últimos anos. Na verdade desde antes quando, jovem ainda, iniciou-se no BNDES e elegeu Celso Furtado e o projeto de desenvolvimento nacional como bússola histórica de sua vida e de sua profissão.

A professora Maria da Conceição é amiga de longa data da ministra Dilma Roussef, possível candidata do PT à sucessão do Presidente Lula. Conceição também já foi próxima de José Serra, candidato declarado da oposição no embate sucessório de 2010. Mas Conceição não tem dúvida de que lado estará então. “Serra não é um neoliberal; é bom que se diga e que não se confunda”, antecipa em tom sério. “Conheço ambos. A diferença entre Dilma e o Serra é que a visão da Dilma é mais consistente do ponto de vista histórico. Dilma escolheu o lado que pode apoiar um projeto de desenvolvimento para o Brasil no século XXI. E isso faz toda diferença. Entre o desenvolvimentismo de boca, do Serra, e o projeto ao qual Dilma pertence, eu não tenho dúvida de que lado fica a consistência histórica. E arremata: “Sim, Serra se opunha ao Malan no governo FHC. Mas Serra não se opôs às privatizações nem à política fiscal, concebida por gente da sua influência. Dilma é mais consistente. E não se trata apenas de superioridade no manejo econômico. Sua visão da economia tem uma contrapartida social coerente; e uma contrapartida de democracia consistente”.

Com um sorriso de entusiasmo, a professora comemora a notícia de que o PT , junto com a Fundação Perseu Abramo, criará uma Escola de Formação Política. “A agenda neoliberal contaminou toda sociedade; claro, também alcançou esferas do partido”, explica. “A crise econômica coloca esse pensamento em xeque e abre espaço para o PT retomar seu programa dos anos 94 e 98. Era um bom programa de reformas para o Brasil”, comenta, mas sem saudosismo - “perdemos com um bom programa, sempre é bom lembrar“. E aconselha como se fosse ao mesmo tempo cronista eqüidistante e personagem do mesmo enredo: “O PT precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial. Isso requer estudo e reflexão. Essa crise não é como a de 30. É uma crise de paradigma, inclusive de paradigma industrial, o que não ocorreu em 30. É muito sério. Portanto, é hora de refletir, esclarecer, debater. O partido deve fazer isso sem perder a serenidade”, pontua preocupada: “Existe o horizonte político amplo, mas uma proposta de governo tem que oferecer respostas condicionadas às circunstâncias do país, agravadas pela crise mundial”

A seguir, trechos da entrevista de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior

I)Controlar a conta de capitais com um BC desse tipo?Acho difícil.
A inflação está caindo, desaba em todo o planeta e aqui? Aqui eles mantém o juro no céu, a 13,75%. Para quê? Para atrair dólares? Para evitar fuga de capitais ? Mudou a conjuntura mundial, não existe mais liquidez internacional para ser atraída. Essa política é anômala: não vai atrair um dólar furado com essa taxa. Tampouco impedirá a fuga em busca de segurança. O que pode impedir esses movimentos de capitais é a taxa de juro zero decidida pelo Fed. Vamos torcer que seja assim. Mesmo porque, não vejo como controlar a conta de capitais num país que não controlou nem operações especulativas com derivativos. E elas foram feitas aqui, sim senhor; não foram contratadas apenas nos paraísos fiscais. Estavam aí à vista de todos, a começar do BC, e nada se fez. A verdade é que fizemos na área financeira uma abertura mais radical do que em qualquer outra. Talvez o Estado brasileiro não disponha no momento nem de mecanismos, nem de pessoal, e menos ainda de uma lógica de estado para controlar o movimento de capitais.

II) O Banco Central brasileiro virou um caso psicanalítico internacional
Os membros do Copom agem por necessidade de auto-afirmação, dizem seus defensores. Mas e o país? Temos um BC que se tornou um caso psicanalítico internacional... A intransigência tornou-o irrelevante para o país, essa é a verdade; e isso é uma marca grave. O BC brasileiro é um ponto fora da curva mundial. Um estorvo; uma peça menor no esforço do governo para defender o país contra a recessão. Simplesmente, não se pode mais contar com essa gente para nada. Na verdade, eu já não esperava nada desse grupo de interesses. Hoje, quando eles falam nem indignada eu fico; me dá cansaço.

III) A ortodoxia e o tamanho da crise apequenaram o BC
A turma do BC deixou a coisa passar a tal ponto que agora temos um paradoxo: a maior taxa de juros do planeta e, quando fizerem os cortes, será tarde demais. Nada do que possam fazer em gotas simbólicas, a partir de janeiro, terá importância na ordem do dia para enfrentar a crise. O governo não deve esperar mais nada daí. O BC ficou desimportante. As expectativas já foram formadas. Os interesses se aferram a sua lógica. Veja o caso da Vale do Rio Doce; uma empresa que está nadando em dinheiro e vem o Agnelli demitir e falar em exceção trabalhista! A rigidez monetária jogou lenha nessas distorções e agora não serve mais para nada. O governo precisa olhar para frente e esquecer o BC.

IV) Governo deve agir seletivamente e administrar o mercado de câmbio e crédito
O fato grave é que as taxas de juros estão subindo na ponta; o crédito continua caro e curto. Há uma pressão danada pela rolagem de dívidas contraídas por empresas dentro e fora do país. Isso ainda não está resolvido. E é sério. Para a rolagem externa teremos que tomar medidas adicionais em 2009. Não tenho a certeza de que a linha de US$ 30 bi criada pelo FED para países como Brasil e Coréia será suficiente. Talvez precisemos de mais, mesmo tendo o governo destinado também US$ 20 bi das reservas para essa finalidade.

Para o crédito interno não adianta mais liberar compulsório (percentual dos depósitos recolhidos obrigatoriamente pelos bancos no BC). Você libera, a banca privada não repassa; não chega na ponta e o custo do financiamento ainda aumenta. O governo deve agir direto, cada vez mais. Setor por setor, caso a caso. O Estado deve alocar recurso onde for mais relevante e administrar o mercado de crédito no piloto manual. É o que temos feito na área da construção civil e no mercado automobilístico. Deve-se aprofundar a ação estatal nessa direção. Não haverá normalidade de crédito via mercado; esqueçam o que diz o Meirelles e o BC. Não têm mais nenhuma importância.

V) Cortar o juro agora serve para reduzir custo da dívida interna; pode liberar fôlego fiscal para investimento público
Para ter algum sentido, o BC teria que derrubar a taxa de juro em pelo menos um ponto em janeiro, mas o farão de forma desprezível, em 0,25 ponto. Não falo para a atividade econômica, mas para reduzir a pressão fiscal no pagamento de juros da dívida pública. Isso permitiria liberar fôlego para a despesa social do governo. Esse é o ponto decisivo agora: agir na frente do emprego e do gasto social. A política do BC não fará mais nada pelo país. Por caminhos opostos, atingimos o mesmo esgotamento da ferramenta monetária que se verifica agora nos EUA; aqui, por fidelidade dos membros do BC aos interesses que representam, em detrimento dos interesses do país. Eles fizeram uma escolha e foram fiéis a ela até o fim. Absoluta disciplina. Infelizmente a escolha não foi o país, mas o mercado, de onde vieram e para onde voltarão.

VI)Custeio do Estado não é gasto com lápis e borracha; é gasto com gente, gasto social que tirou milhões da pobreza nos últimos anos
O fato é que a alavanca monetária chegou a um ponto de irrelevância. É hora da política fiscal: quem fala em corte de custeio nesse momento que me perdoe, fala sem saber do que está falando. Estão esquecendo: despesa social também é custeio. É o espaço que temos para defender o país, o emprego e a demanda interna. Os grandes projetos do PAC são importantes; os projetos privados associados a exportação de commodities também são de grande envergadura. Não vão parar porque são planos de longo prazo. Mas geram pouco emprego. Terão efeito reduzido na dinâmica do mercado interno. O que faz a diferença e está ao alcance do governo é o gasto de custeio do Estado. Claro, não falo de aumentar salários de assessorias etc. Gasto de custeio não é lápis e borracha; é principalmente gasto social. Esse tem que aumentar e aumentar urgente.

Naturalmente, em torno disso não existe o consenso que se vê agora, esse consenso tardio pelo corte dos juros. Ampliar o gasto de custeio, na esfera social, é algo que os economista heterodoxos defendem; mas o mercado não. Talvez nem mesmo dentro do governo exista clareza sobre isso. Sim, é preciso agir com os instrumentos disponíveis; até antecipar o reajuste do salário mínimo, se for o caso, como diz o Carneiro (NR: Ricardo Carneiro, economista da Unicamp). E fazê-lo não só na esfera federal, mas também nos Estados e municípios. Um mutirão público pelo gasto social, contra a recessão.

VII) O PT deve se preparar; se é certo que vai criar uma Escola de Formação Política chega em boa hora; a crise exige renovação
O partido deve se preparar para entender a dimensão da crise e agir sobre ela. Estamos diante de algo distinto de tudo o que se viu até hoje em termos de crise capitalista. Só é igual a de 30 na gravidade; e pode ser pior. Em 30 não tivemos uma ruptura de paradigma, exceto para romper o padrão ouro. Mas a indústria era fordista e continuou fordista, durante e depois da crise. Agora, parece que o padrão industrial se esgotou. Pior: ao contrário do mundo que emergiu após 30, não se vê uma força ordenadora capaz de injetar coerência na economia mundial. Ninguém sabe para onde vão os EUA; nem eles. Significa que a desordem pode demorar muito tempo.

Se o PT, finalmente, criará uma Escola de Formação Política, só tenho a comemorar. Chega em boa hora. O fato é que o colapso da agenda neoliberal tem que ser profundamente discutido. E isso tem a ver com o PT também. Essa agenda penetrou as entranhas de toda sociedade e o partido não foi poupado. Vide a posição que se esboçou em relação à Previdência Social, por exemplo; e mesmo em relação à dita autonomia do BC. Pallocci diz que está fora se o PT continuar criticando o Banco Central? É um favor que ele nos faz.

VIII) Quando me aproximei do PT em 1989 achavam que eu era reformista; hoje estou à esquerda
O PT já teve uma agenda consistente de reformas, aquela de 94 e 98; trata-se de retomá-la; submetê-la aos desafios da atual crise e abrir um ciclo de debates e de esclarecimento dentro do partido com dois horizontes: o de longo prazo, na análise desse colapso e do colapso do ideário neoliberal no mundo. Mas no curto prazo é preciso avaliar o que é possível e necessário para defender o país da desordem internacional. Não se pode confundir os dois tempos, ou daqui a pouco tem gente querendo reduzir jornada de trabalho e manter salário. É bonito. Mas vai acontecer? Não. Então não dá para jogar o partido em coisas desse tipo. É preciso ter respostas de curto e longo prazo.

É uma agenda para um debate interno. Fico feliz que o partido, finalmente, se abra a isso. Quando entrei no PT em 1989 muitos me olhavam com reticência; achavam que eu era uma reformista conservadora. Hoje dizem que estou à esquerda, mas eu não saí do meu lugar. É uma boa hora para resgatar a vida intelectual dentro do partido.

IX) Dilma tem uma visão histórica mais consistente que a do Serra
Estou otimista com a chance da Dilma ocupar a Presidência da República. Sim, já fui muito ligada ao Serra; conheço ambos. A diferença entre o desenvolvimentismo da Dilma e o do Serra é que a visão histórica e política da Dilma é mais consistente. O Serra, diga-se, não é um neoliberal; e isso é bom porque vai elevar o debate eleitoral em 2010. Mas o desenvolvimentismo do Serra é um desenvolvimentismo de boca. Ele se opunha ao Malan, é verdade (no governo FHC). Mas nunca se opôs às privatizações nem à política fiscal ortodoxa, concebida por gente da sua influência. É muito diferente da Dilma. De qualquer forma, fico feliz que a luta seja entre os dois. O país vai ganhar com isso. A sociedade entenderá as diferenças entre projetos que têm nomes parecidos, como desenvolvimento, mas que envolvem forças e concepções distintas, especialmente na sua dimensão social e na sua correspondência democrática. É aí que está a força da Dilma.

Será mais fácil negociar um projeto nacional de desenvolvimento tendo Serra e Dilma no embate. Melhor do que ter uma sociedade rachada entre um neoliberal de direita e um candidato nosso, de centro esquerda. Ontem, como hoje, e amanhã também, teremos que negociar um projeto nacional. Duas candidaturas que ao menos falem uma língua próxima facilitará a compreensão dos brasileiros; ajudará a somar forças.

É mais uma razão para o PT se preparar e definir, afinal, qual é o desenvolvimento que defende. O resultado de 2010 dependerá de tudo isso. Mas, sobretudo, vai depender da nossa capacidade de atravessar com sucesso 2009. Espero que seja um bom ano. Para todos nós. E para o bem do Brasil.

O aumento da passagem não se justifica

O presidente do Instituto de Defesa do Cidadão Consumidor (Indeccon), Márcio Tesch, afirmou que vai entrar com uma ação civil pública na 4ª Vara Cível para tentar suspender o aumento de 10% do valor da passagem de ônibus. O reajuste aprovado pela CPTrans desagradou alguns usuários, que apontam deficiências no sistema de transporte do município e esperam melhorias, mas há quem concorde.
Embora o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro) e a CPTrans tenham afirmado que eram apenas especulações as informações contidas em matérias publicadas na Tribuna sobre um possível aumento de passagem ainda nesse ano, a tarifa passará para R$ 2,20 a partir de domingo.
Os empresários esperavam um aumento de 26%, mas a CPTrans autorizou 10%, ficando abaixo do índice de inflação, como manda a legislação. Márcio Tesch não concorda com essa afirmativa e realizou um estudo para mostrar que desde 2004 até julho de 2007, último reajuste da passagem, houve um aumento de 16,89% da inflação e que nesse mesmo período o valor da passagem subiu 33,3%, quase o dobro. 'Até os dias de hoje, já existe um desequilíbrio financeiro de cerca de 16,41% em desfavor dos usuários, ou seja, desde 2004 os passageiros pagaram 16,41% a mais no preço das passagens, comparado ao aumento da inflação com base no índice oficial do governo federal (IPCA/IBGE)', explicou Marcio Tesch.

Trabalhadores reagem contra chantagem patronal

A crise econômica mundial é o pretexto para a nova ofensiva patronal contra os direitos dos trabalhadores. Nos últimos meses, o crescimento econômico favoreceu a luta operária; o desemprego diminuiu e algumas categorias tiveram conquistas, principalmente salariais.

Esse ambiente favorável havia enfraquecido as armas usadas pelos patrões para chantagear os trabalhadores e impor perdas de direitos sociais. Mas a burguesia nunca desistiu de sua ofensiva nem arquivou seus programas de ''flexibilização'' da legislação.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, atacou pela imprensa - e, diz ele, em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - as leis trabalhistas. Ele quer a ''suspensão de contrato de trabalho, redução da jornada com redução de salário, coisas assim''. ''Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa''.

O governo tucano de José Serra tem pretensões semelhantes, e a Secretaria do Emprego e das Relações do Trabalho divulgou a proposta de criar um programa emergencial de seguro desemprego e suspender temporariamente o contrato de trabalho nas empresas em dificuldades.

Passando das palavras aos fatos, a fabricante de vagões ferroviários Amsted-Maxion demitiu cerca de 1.500 operários nas cidades paulistas de Osasco, Hortolândia e Cruzeiro (nesta, há outros 200 sob ameaça do facão patronal). E infringiu a lei ao incluir entre os demitidos, trabalhadores que têm estabilidade ou que sofreram doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

A chantagem é nítida. No caso da Vale, a empresa teve dois anos de lucros líquidos estratosféricos: 13,4 bilhões de reais em 2006 e 20 bilhões em 2007. Mesmo assim, é ré num crescente número de processos trabalhistas (que já supera oito mil, incluindo as empresas terceirizadas!) na Justiça do Trabalho do Pará.

No caso da Amsted-Maxion, é difícil acreditar que os efeitos da crise já tenham batido à sua porta, justificando ações preventivas contra ela. É sabido, entre os sindicalistas, que fabricantes de bens de capital (como ela) tendem a ser os últimos afetados pela simples razão de que não produzem para o mercado de consumo direto, como as demais empresas, mas sob contratos efetuados com fabricantes de produtos finais, contratos protegidos por pesadas multas.

Além disso, existem as linhas de crédito oferecidas pelo governo justamente para manter a produção e o nível de emprego, que beneficiam as empresas.

Tudo isso fundamenta a forte percepção de que demissões e pretensões de eliminar direitos trabalhistas não passam da costumeira chantagem patronal contra os trabalhadores e o governo - que sinalizou que não vai se envolver nesta questão, mas deixá-la para a negociação entre patrões e operários. ''Quanto mais distância o governo tiver da relação entre capital e trabalho, melhor'', disse Lula. ''Eles sentam à mesa e encontram um acordo''.

Neste jogo a luta dos trabalhadores é central. A resposta para a chantagem patronal foi rápida: na Amsted-Maxion, no dia 15, cruzaram os braços pela reintegração dos trabalhadores dispensados.

A greve, disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), ''é uma importante demonstração de força para os trabalhadores verem que é possível resistir'', que ''é possível levantar a cabeça''. A orientação é clara: onde houver demissões, ''toda a categoria vai entrar em greve'', disse. ''Os trabalhadores não vão pagar por uma crise econômica que não é sua''.

Esta orientação é partilhada pelas demais centrais, entre elas a CUT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) que, no documento entregue ao governo, no início do mês, defenderam a garantia do emprego como condição para as empresas em dificuldades obterem empréstimos de emergência nos bancos oficiais.

Ao contrário do que pretendem Roger Agnelli, os patrões e o governo tucano de São Paulo, os trabalhadores querem manutenção dos empregos e redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários para fortalecer o mercado interno e permitir o enfrentamento da crise avançando, e não andando para trás.

Origem de dívida de R$ 220 milhões divide opiniões

A equipe de transição, anunciou que o atual governo vai deixar a Prefeitura uma dívida de R$ 220.474.889,03. O prefeito Rubens Bomtempo e o secretário de Fazenda, Paulo Roberto Patuléa negam esta informação, afirmando que as dívidas são de governos anteriores de 1992 a 2000.
A equipe de transição, disse que estes números preocupam a futura administração, entre eles a famosa dívida da Comdep que em março deste ano estava R$ 96.915.584,23 milhões.
Patuléa disse que ao analisar os balancetes a equipe deveria ter apresentado o período e o governo que as dívidas foram contraídas, afirmando que 'não são deste governo'.
Com relação a divida de R$ 96.915.004,80 da Comdep, Patuléa disse que são originárias de governos anteriores, de 92 a 2000, e lembrou que a empresa incorporou a Petrotur e a Caempe, que estavam endividadas.

Câmara quer rever proposta que aumenta número de vereadores


A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu, por unanimidade, não assinar a promulgação da PEC dos Vereadores (333/04), aprovada nesta madrugada pelo Senado. As mudanças constitucionais aprovadas pela Câmara e pelo Senado devem ser promulgadas pelas mesas das duas casas antes de entrar em vigor.

A PEC já havia sido aprovada pela Câmara em maio deste ano e aumenta o número de vereadores dos atuais 51.748 para 59.791. Os senadores, no entanto, modificaram os percentuais das receitas municipais que poderão ser destinadas às câmaras de vereadores.

O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), explicou que a Mesa avaliou que a proposta foi alterada substancialmente no Senado e que, portanto, deve retornar à Câmara para nova análise. Na opinião de Inocêncio, a PEC deve tramitar no próximo ano e as alterações propostas só devem valer para o próximo mandato (2013-2017).

Inocêncio acredita que não seria justo a medida começar a valer agora já que os vereadores que tomarão posse em janeiro disputaram a eleição sabendo o número de vagas que havia.

Com a decisão da Mesa, a PEC será devolvida ao Senado e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), deve solicitar ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que em seguida repasse a PEC aprovada pelos senadores para a análise da Câmara.

Durante a votação no Senado, o relator da chamada PEC dos Vereadores, senador Cesar Borges (PR-BA), separou as duas partes principais da proposta: a composição e os gastos das Câmaras. Na PEC aprovada pelo Senado consta apenas a parte do texto que recebeu o aval da Câmara no início do ano e altera a proporcionalidade de vereadores em relação ao número de habitantes do município.

Foram criadas 24 faixas de número de vereadores: os municípios com até 15 mil habitantes terão nove vereadores, enquanto os municípios com mais de 8 milhões de moradores terão 55 vereadores.

Os senadores retiraram da PEC um artigo que reduzia os percentuais de repasse das receitas dos municípios para as Câmaras --uma economia calculada em R$ 1,5 bilhão.

De acordo com o artigo, os municípios com arrecadação de até R$ 30 milhões por ano poderiam gastar com os legislativos municipais até 4,5 % da receita. Arrecadação de R$ 30 a R$ 70 milhões --gastos de até 3,75%; de R$ 70 a R$ 120 milhões-- gastos de até 3,5 %; de R$ 120 a R$ 200 milhões --gastos de 2,75 %; e acima de R$ 200 milhões os gastos podem ser de até 2 % do orçamento.

Borges argumentou que as duas medidas deveriam ter tramitação distinta por produzirem impactos diferentes. A idéia do senador era discutir esta parte da PEC, em 2009, em um novo texto.

Com a mudança, as Câmaras Municipais vão continuar a receber o montante previsto pela Constituição Federal, sem aumento nos gastos mesmo com a criação dos novos cargos.

Para a PEC ser aprovada, os líderes do Senado fecharam um acordo que permitiu a realização de sessões extraordinárias seguidas, contando prazos de votação --a PEC precisa ser discutida por cinco sessões, em primeiro turno, e por três, em segundo turno.

A emenda constitucional aprovada busca resolver uma polêmica criada em 2004, quando o TSE baixou uma resolução estabelecendo instruções sobre o número de vereadores a serem eleitos segundo a população de cada município.

A resolução redistribuiu os municípios em 36 faixas e deu nova interpretação à matéria, reduzindo o número de vereadores em 2.409 municípios. A decisão do TSE proporcionou ainda aumento no número de vereadores em 19 municípios.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A crise, vista de Beijing

por Emir Sader

De repente, parece que o mundo inteiro passou a se preocupar com a China, com os eventuais efeitos da crise sobre sua economia. Porque a China passou a desempenhar um papel tão central na economia mundial, que a preocupação é pela própria possibilidade do desempenho chinês funcionar como amortecedor dos profundos efeitos da recessão mundial, gerada nos países do centro do capitalismo e disseminados por todo o mundo, com diferente intensidade.

Os chineses encaram com calma a crise. Sabem que, pela própria presença já global da sua economia – e pelo papel que suas exportações, assim como pela posse dos papéis da dívida norte-americana e pela importação de investimentos -, não passarão incólumes. Porém, acreditam que dispõem dos instrumentos para enfrentá-la, mesmo tendo que diminuir um pouco o espetacular ritmo de crescimento que sua economia exibe nas três últimas décadas.

Saudada pelo editorial desta semana da revista The Economist, a conservadora publicação britânica, como “a mais assombrosa transformação econômica na história humana, mencionando, entre outros coisas, como “200 milhões de pessoas foram tiradas da pobreza” em um país em que nenhum outro na história fez, tendo crescido 9,8% em media nos últimos 30 anos, passando de 1,8% do PIB mundial em 1978 a 6% , entre outros dados. O editor do Financial Times, Martin Wolf, presente neste seminário, disse que “a emergência da China nas ultimas três décadas é o mais significativo acontecimento econômico e político de todo o período que nos toca viver.”

Os chineses, orgulhosos das conquistas e dos elogios, mas modestos e realistas, pretendem seguir adiante, embora com níveis mais baixos de crescimento, o que de qualquer maneira seria esperado, porque é fácil crescer a partir de um nível muito baixo de desenvolvimento, mas manter esse ritmo, depois de três décadas, é praticamente impossível. Crescer a 6%, por exemplo, a partir do nível que têm hoje, significa continuar a dar saltos enormes para a economia chinesa.

Transformados nos maiores portadores de papéis da dívida dos EUA e de reservas no mundo, eles seguem incrementando seus superávits comerciais. Em 2007, o superávit comercial obtido pela China era 80% dos superávits somados da Alemanha e do Japão, competidores durante décadas entre si para ter o primeiro posto arrebatado pela China. As reservas chinesas representam 27% do total de reservas existentes no mundo, mais do dobro do Japão, que vem em segundo lugar.

A solidez do seu sistema bancário – ao contrário do que se propalou durante muito tempo, principalmente dos bancos estatais – e o acúmulo de reservas permitem à China encaram com relativa tranqüilidade a crise. No entanto, o peso do mercado externo terá que diminuir em favor do interno, para que os efeitos da crise diminuam relativamente.

A China anuncia que continuará a comprar os papéis da dívida dos EUA, que consideram que continuam a ser, no médio e longo prazo, bons negócios. De fato, quando compraram ações de empresas produtivas norte-americanas, os chineses perderam dinheiro, não pretendendo seguir por esta via.

Passos na direção de acentuar a construção de um mundo multipolar são considerados estratégicos pelas autoridades chinesas. Daí o destaque que dão à reunião dos mandatários da China, do Japão e da Coréia do Sul, nesta semana, para coordenar ações e aprofundar os intercâmbios comerciais e financeiros. Da mesma forma a imprensa chinesa dá grande destaque à reunião de mandatários latino-americanos em Sauipe, processos que convergem na mesma direção.

Vista de Beijing, a crise não é considerada como um destino que levará todo o mundo à depressão, mas como um fator que afetará os ritmos de crescimento e deslocará mais o poder de decisão das mãos dos EUA e das grandes potências capitalistas para os países emergentes, especialmente para aqueles que reagirem coletivamente diante da crise.

Desmatamento no Amazonas caiu 69,25% em cinco anos


A intensificação das ações de fiscalização e licenciamento ambiental reduziram a taxa de desmatamento no Amazonas em 69,25% nos últimos cinco anos. A informação é do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), ao apresentar os números relativos aos esforços de combate aos desmatamentos ilegais no Estado. “Tivemos em 2008 apenas 479km² de área desmatada, o que representa 21% de redução em relação ao ano passado e quase 70% a menos que em 2003”, explica o diretor-presidente do Ipaam, Neliton Marques.

As razões para a redução do desmatamento no Amazonas estão relacionadas à intensificação das ações de fiscalização e de licenciamento ambiental. De acordo com o Ipaam, o órgão realizou este ano 1.336 fiscalizações e emitiu 414 autos de infração. “Fiscalizamos 20,79% a mais que em 2007 e subimos o número de multas em 301% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de focos de calor registrados no Amazonas também caiu 8,31%”, diz Neliton Marques.

A principal ação de combate ao desmatamento do Ipaam este ano foi a “Operação Mosaico”, direcionada para os municípios de Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré, Humaitá, Canutama, Boca do Acre e Lábrea. “A operação foi voltada para o Sul do Estado, onde ocorre a maior pressão de desmatamento atualmente. Ela ocorreu de três de agosto a 18 de novembro e resultou em R$ 37,2 milhões em multas e na detecção de 5,1 mil hectares de desmatamento”, afirma a gerente de Fiscalização Ambiental do Ipaam, Wanderléia Nascimento. Segunda ainda a gerente, outras operações menores foram realizadas e, no total, as multas aplicas pelo órgão em 2008 chegam a 47,6 milhões.

Apesar dos números referentes às ações de fiscalização serem superiores aos anos anteriores, Neliton Marques considera que o licenciamento ambiental também contribuiu para a redução dos índices de desmatamento. “Quando fazemos uma ação de fiscalização, nós também nos preocupamos em oferecer uma alternativa econômica viável para as pessoas que hoje estão ilegais. Por isso, licenciamos este ano 463 mil m³ de madeira manejada e a maior parte exatamente nos municípios do Sul do Amazonas”, diz. Segundo o diretor-presidente, os municípios de Manicoré (106 mil m³), Apuí (65 mil m³), Humaitá (50 mil m³) e Novo Aripuanã (32 mil m³) tiveram planos de manejo licenciados.

Os dados apresentados pelo Ipaam demonstram também que o Amazonas continua sendo o estado mais preservado da Amazônia Legal. “A área desmatada este ano foi de 479km², isso representa apenas 0,03% da área do Estado. Logo, continuamos seguramente com cerca de 98% da cobertura vegetal preservada. Isso graças aos esforços não apenas do Ipaam, mas de diversos atores como o Ibama, Sipam, Polícia Militar, Idam e Secretaria Estadual de Meio Ambiente”, disse Neliton Marques.

Para atender empresários, passagem vai para R$ 2,20

A polêmica em torno da passagem de ônibus em Petrópolis é peculiar. A planilha apresentada pelos empresários nunca foi examinada de forma independente, é uma verdadeira "caixa preta"!
Outro fator que chama a atenção é que os empresários colocavam a culpa do valor da passagem no alto índice de gratuidades, mas uma coisa não se explicou até hoje: por decisão judicial de alta cúpula ficou decidido que toda gratuidade deveria ser subvencionada pelo estado. Aqui um decreto do executivo prorrogou o tempo de exploração das linhas feita pelas empresas e em troca do pagamento e de dívidas passadas foi financiada a gratuidade do ensino médio. Como conseqüência retirou-se um número grande de gratuidades da planilha da empresas, mas o preço não caiu!
Precisamos fazer um auditoria da planilha de custo das empresa já!

STF mantém piso de R$ 950 para professores


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (17) manter o pagamento, de forma progressiva, de um piso salarial de R$ 950 para professores com carga horária de 40 horas semanais. Os magistrados entenderam, no entanto, ser preciso derrubar parte da lei que obriga que um terço da carga horária dos professores seja destinado a atividades que não envolvam interação com os alunos, como elaboração e planejamento de aulas. A decisão tem caráter liminar (provisório) e precisará, no futuro, ser apreciada no mérito também pelo plenário do STF.

O Supremo analisava uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) ajuizada pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará contra a lei que determinou o pagamento escalonado do piso salarial de R$ 950.

Os estados argumentavam que não eram contrários à fixação de um piso em si, e sim discordantes do fato de a legislação obrigar o pagamento mínimo de R$ 950 mensais sem incluir neles as gratificações ou remuneração por horas extras.

Segundo os governos estaduais, sobretudo os governadores tucanos Aécio Neves (MG), José Serra (SP) e Yeda Crusius (RS), alegam que, com os benefícios já conquistados pelos professores, os salários ultrapassariam muito o valor do piso e culminariam no descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites para Estados e municípios em despesas com folha de pagamento.

Mas no STF, este argumento não convenceu. Apenas o ministro Marco Aurélio Mello fez eco ao discurso tucano. "Não sei de onde vão tirar dinheiro sem a previsão orçamentária para satisfazer esse ônus. Esse ônus significou cumprimentar com o chapéu alheio. A União impôs (o piso salarial) por goela abaixo aos Estados e municípios", protestou o ministro.

Os demais integrantes do STF, porém, se mostraram favoráveis ao patamar mínimo de R$ 950 para os docentes. O relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, lembrou que a legislação que definiu o patamar salarial mínimo já previu um prazo para que os municípios se adéqüem ao novo piso, que começa a ser pago no início do próximo ano. "Um piso salarial que é piso mesmo, que não admite um sub piso, que é mínimo e não admite um sub mínimo", destacou, por sua vez, Carlos Ayres Britto.

"Não existe nenhuma inconstitucionalidade no que concerne com a fixação do piso nacional salarial", observou o ministro Carlos Alberto Menezes Direito.

Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o projeto de lei que criou piso salarial, beneficiando, segundo o Ministério da Educação, pelo menos 800 mil professores da educação básica pública e aposentados e pensionistas do setor. O projeto previa que os Estados e municípios deveriam cumprir o valor integral de R$ 950 até 2010 por meio de reajustes anuais graduais.

A União poderá fornecer complemento financeiro àqueles entes federados que comprovadamente não tiverem condições de atingir o piso salarial dentro do prazo.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para professores, variando de R$ 315 a R$ 1,4 mil.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Deus não existe!

20 NAÇÕES COM OS MAIS ELEVADOS ÍNDICES DE ATEÍSMO

País População Ateístas + Agnósticos – Máx.

1 Suécia 8,986,000 85%

2 Vietnam 82,690,000 81%

3 Dinamarca 5,413,000 80%


4 Noruega 4,575,000 72%


5 Japão 127,333,000 65%


6 República Tcheca 10,246,100 61%


7 Finlândia 5,215,000 60%


8 França 60,424,000 54%


9 Coréia do Sul 48,598,000 52%


10 Estônia 1,342,000 49%


11 Alemanha 82,425,000 49%


12 Rússia 143,782,000 48%


13 Hungria 10,032,000 46%


14 Holanda 16,318,000 44%


15 Grã-Bretanha 60,271,000 44%


16 Bélgica 10,348,000 43%


17 Bulgária 7,518,000 40%


18 Eslovênia 2,011,000 38%


19 Israel 6,199,000 37%


20 Canadá 32,508,000 30%


Fonte: Atheism: Contemporary Rates and Patterns

Respeitem o bom velhinho

por Luciano Rezende*

Durante essa semana foi ressuscitada a polêmica sobre a imposição do criacionismo no currículo de ciências nas escolas confessionais (e mesmo em algumas públicas). Uma heresia.


Além de atentar contra a Constituição Federal que garante o caráter laico do Estado, tal medida é um sacrilégio contra a ciência e blasfema contra a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin.

Ciência e religião são imiscíveis. Enquanto aquela duvida e questiona, esta crê e dogmatiza.

Um notável pesquisador pode ser um devoto seguidor do cristianismo. Mas quando for escrever um artigo científico suas crenças serão postas de lado. Poderá manifestar sua fé na palavra de Deus na igreja, mas no seu laboratório terá que necessariamente comprovar a verdade dos fatos através de critérios metodológicos consistentes e questionar as relações existentes entre causa e efeito de um fenômeno qualquer.

Porventura há alguma comprovação científica sobre o criacionismo? Quais foram os materiais e métodos? Em qual revista foi publicado? Qual o fator de impacto da bíblia? Houve repetição, casualização ou controle local? Que modelo estatístico foi utilizado?

Já a teoria da evolução das espécies formulada por Darwin tem rigor científico e é comprovada. Mesmo se Darwin comungasse alguma crença seu estudo foi o inverso da fé e do dogma religiosos. Mendel era monge e é considerado o pai da genética. Essa é a questão, ou seja, escolas confessionais têm todo o direito de ministrar aulas de ensino religioso, mas não podem passar gato por lebre ao impor uma visão teológica como ementa científica.

Sobre esse assunto a professora de Filosofia e Educação da Universidade de São Paulo, Roseli Fischmann, dá um excelente argumento publicado no Estadão de 14/12. Segundo a professora “levar o criacionismo para as aulas de ciências misturado aos conceitos da teoria evolucionista é uma distorção. Não dá para confundir as lógicas. O campo da ciência não é o da salvação, nem o da iluminação, nem o do ser infalível. Ele tem uma marca: é produzido por seres humanos, num acúmulo de conhecimento histórico, e não de forma dogmática, de uma vez para sempre, fruto da revelação. Somos falíveis e mortais. Ao ensinar ciências, os professores podem inclusive dizer às crianças: ‘Isto é fruto da construção humana, e você pode ser parte dessa construção’. Assim se desenvolve nos alunos a possibilidade de questionar, e uma boa dúvida é a pérola do mundo científico. Se do ponto de vista religioso, existe alguém infalível, isso é para as pessoas que acreditam. Quem acreditar será respeitado por isso, mas não se pode querer que todo o mundo esteja dentro dessa lógica. Ninguém, enfim, ganha misturando as duas frentes porque os cientistas podem pensar que são deuses, e quem fala de Deus pode pensar que é cientista”.

Também a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) é categórica sobre o assunto. A professora Rute Maria Gonçalves de Andrade, em entrevista à Folha de São Paulo de 13/12, enfatiza que “de forma nenhuma” o criacionismo pode ser ensinado em aulas de ciência. Isso porque “falta tudo” para que essa linha seja considerada ciência. Perguntada se o criacionismo deve ser ensinado nas aulas de ciência nas escolas a diretora da SBPC responde: “De forma nenhuma, pois não é conhecimento científico. Ninguém pode fazer, por exemplo, um experimento para provar a existência de Deus. E fazer experimentos é uma das bases da ciência. Na ciência, não se pode usar como base a crença. Não posso dizer que um animal está em extinção porque eu simplesmente creio nisso. Na ciência, tem de haver método, o que os criacionistas não conseguem fazer”.

O Ministério da Educação também vai ao contra-ataque e em uma postura corajosa toma firme posição no debate. A secretária da Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, afirma nessa mesma entrevista à Folha que “o criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, mas nunca nas aulas de ciências”. Mas apesar desse posicionamento, o MEC não pode interferir no conteúdo ministrado pelas escolas, pois elas gozam de autonomia.

Aí é que devem entrar as entidades estudantis. Sobretudo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) podem e devem prestar grande serviço à sociedade ao promover esse debate. Não se trata, obviamente, de uma campanha contra as convicções religiosas das pessoas, mas de defender a ciência e seus inúmeros benefícios.

Nas vésperas do natal, imbuídos da emoção que nos remete o nascimento de Cristo, respeitemos a memória do bom e sábio velhinho de barbas brancas. Ele não é o Papai Noel, mas presenteou a humanidade com uma obra que assim como a bíblia merece ser lida por todos os criacionistas: ''A Origem das Espécies''.

A propósito, aí está uma boa sugestão de presente de Natal.


Muntadar al-Zaidi foi torturado

O jornalista iraquiano que atirou os seus sapatos ao Presidente norte-americano, George W. Bush, foi espancado durante a detenção, indicou hoje o seu irmão. Um porta-voz do Exército iraquiano indicou, porém, que estas alegações são infundadas e que o jornalista goza de perfeita saúde.
Muntadar al-Zaidi tem uma mão partida, algumas costelas partidas e apresenta hemorragias internas, bem como uma vista magoada, indicou hoje à imprensa o seu irmão mais velho, Dargham, citado pela BBC.

Ministra considera emblemático caso de mulheres processadas por aborto

Apesar de admitir que não há muito o que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) possa fazer em relação ao caso das mulheres que estão sendo processadas por aborto em Mato Grosso do Sul, a ministra-chefe da secretaria, Nilcéia Freire, destacou na terça-feira (16), pouco antes de receber o relatório apresentado por movimentos sociais sobre o caso, que essa situação é emblemática e uma oportunidade para ampliar a discussão sobre o assunto na sociedade.

“Deve ser para nós uma oportunidade de colocar essa discussão em um outro diapasão, que cabe ao Estado trabalhar, sem a interferência da questão religiosa, das convicções pessoais, porque nós temos que ter uma política de Estado que dê conta da questão do aborto no nosso país. A gente precisa discutir isso, e não vai ser com medidas criminalizantes, não vai ser com essa criminalização em massa, que se tenta fazer em Mato Grosso do Sul, que a gente vai poder avançar na sociedade brasileira com essa questão”, afirmou.

Nilcéia Freire também se posicionou contra a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o aborto, que pode ser criada na Câmara dos Deputados. Ela disse que o governo está trabalhando junto à bancada, para que os integrantes da CPI não sejam indicados.

“Se ela for instaurada, nós vamos trabalhar no sentido de que essa CPI não passe a ser um tribunal de exceção, não seja transformada na fogueira da inquisição, para queimar as mulheres moralmente, à medida em que não se pode mais jogá-las na fogueira fisicamente”, afirmou a ministra, lembrando a inquisição da Igreja Católica na Idade Média.

De acordo com Nilcéia Freire, uma das metas da SPM é justamente ampliar o acesso da população aos serviços públicos de saúde, que realizem o aborto previsto em lei – em casos de estupro e de risco de morte para a mãe -, evitando, assim, que as mulheres procurem clínicas clandestinas.

“Eu costumo dizer que a gente não deveria mais falar que o aborto é proibido no Brasil, a gente deveria dizer que o aborto é permitido em tais situações, para mudar um pouco o registro que a própria sociedade tem do aborto enquanto crime”, concluiu a ministra Nilcéia Freire.


Instituto Civis ta com a razão!!!

O problema do aluguel de veículos pelas prefeituras é um verdadeiro ninho de marimbondos! Entre as pessoas jurídicas que alugam quase sempre são as mesmas que financiam as campanhas e no caso das pessoas físicas normalmente são "laranjas" de vereadores e amigados com o poder objetivando "complementarem" suas rendas.

Aldo Rebelo é candidato à presidência da Câmara


O Bloco de Esquerda (PSB/PDT/PCdoB/PRB/PMN) lançou nesta quarta-feira (17) a candidatura do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara dos Deputados. Pela avaliação dos partidos que compõem essa força política, a presença do deputado comunista na disputa certamente levará a decisão para o segundo turno. “Creio que os parlamentares têm uma expectativa de votar com maior independência em relação as cúpulas dos seus partidos”, disse o deputado prevendo adesão à sua candidatura de parlamentares do PT que já formalizou o apoio Michel Temer (PMDB-SP).

Numa disputa acirrada no segundo turno, Aldo Rebelo foi derrotado nas eleições passada pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) por 261 votos a 243, uma diferença de 19 votos. O petista só conseguiu êxito devido o apoio fundamental do PSDB.

Questionado se união entre o PMDB, PSDB e PT não seria o maior obstáculo numérico sobre sua candidatura, o deputado afirmou que se deve levar em consideração o raciocínio segundo o qual “a escolha dos parlamentares não será uma escolha dos partidos.”

“Já há casos seguidos em que o presidente da Câmara não foi escolhido pelo tamanho do partido, mas pelo critério de representatividade do candidato”, argumentou o deputado ao Vermelho.

Rebelo afirmou ainda que não acredita numa possível pressão do presidente Lula para a retirada da sua candidatura em prol da unidade dos partidos da base aliada. “A candidatura dos parlamentares que integram a base do governo não vão causar e nem provocar qualquer interferência do executivo na eleição da Câmara”, disse.

Sobre suas reais chances na disputa, o deputado preferiu não fazer contas afirmando que a campanha está apenas começando e a contabilidade será um momento posterior. “A escolha na Câmara envolve naturalmente opções partidárias, mas ela é acima de tudo uma escolha dos parlamentares, de cada um representante do povo”, ponderou.

O deputado acredita na tese de que a eleição para presidência da Casa de fato será levada para o segundo turno, conforme previsão do deputado Ciro Nogueira (PP-PI), um dos maiores incentivadores do lançamento da sua candidatura.

Aldo diz que tanto Ciro quanto Milton Monti (PR-SP), outro candidato, vão buscar ampliar os apoios. Na sua opinião isso dará maior densidade às candidaturas. Com a entrada dele no processo, fatalmente a disputa será decidida no segundo turno.

Em relação aos seus planos, o deputado comunista disse que vai priorizar temas como a reforma tributária e política. “Não conseguimos votar a reforma tributária quando tentamos votar toda (a proposta) de uma vez. Talvez seja necessário estabelecer um calendário, um programa que alcance determinado prazo (...) para as mudanças tanto nas matérias tributárias quanto de natureza política.”

Aliados comemoram lançamento

A deputada Manuela D´ávila (PCdoB-RS) disse que o lançamento da candidatura de Aldo é importante porque reabre um debate na Câmara sobre a representatividade dos parlamentares. Também ressalta que será estimulado um debate sobre os avanços que o legislativo possa conquistar no ano que será difícil para o Brasil em função da crise. “É uma candidatura importante da base do governo que pode reequilibrar o jogo nas eleições”, disse a parlamentar.

Eleito recentemente líder do PSB na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (DF) disse que a candidatura de Aldo é extremamente positiva. “São articulações que valorizam a Casa, valorizam o diálogo entre os partidos. Agora certamente nós teremos uma disputa muito animada. Acredito que esse campo tem todas as condições de levar a eleição para o segundo turno e ter uma candidatura vitoriosa”, afirmou.

O deputado socialista diz que o Bloco de Esquerda somado ao PP e PR, que terão candidatos, contabilizam 160 votos. “A gente tem notícias de que muitos parlamentares de outro partido querem apoiar a candidatura de Aldo, Ciro e Milton. O nosso objetivo no momento é ter 280 votos para levar a eleição para o segundo turno e aí poder ganhar.”